A traição feminina não está relacionada a um distúrbio de caráter, mas a um desequilíbrio hormonal da mulher. Isso é o que afirmam pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos.
A análise comprovou uma maior tendência de envolvimento com homens que não sejam o namorado, noivo ou marido, em mulheres com concentração mais elevada do hormônio estradiol.
Os pesquisadores relacionaram o nível de autoestima em mulheres com taxas mais elevadas do hormônio no organismo. Na análise dos dados constataram que mulheres com mais hormônio desse tipo tendem a se achar mais bonitas e a se considerar mais atraentes por outras pessoas.
Para os autores do estudo, tais mulheres acabam se sentindo menos satisfeitas com seus parceiros e menos comprometidas com eles, em um comportamento que chamaram de "monogamia oportunista em série". Segundo os cientistas, isso se deve a um "instinto" de buscar parceiros com mais qualidades.
Eles explicaram que essas mulheres consideram consciente ou inconscientemente os parceiros incompatíveis a elas. Por isso desenvolvem casos extraconjugais ou trocam de companheiros com frequência.
A constatação dos pesquisadores norte-americanos tem fundamento de acordo com a ginecologista e especialista em hormônio Melissa Ganam Antoun Guedes.
Além das funções reprodutivas, ela explica que o estradiol tem uma atuação cerebral significativa. Ele atua em vários sistemas, inclusive no límbico, que é o das emoções. “A mulher é governada praticamente por hormônios, costuma-se dizer que ‘somos uma avalanche hormonal’.”
De acordo com ela, o estradiol é o combustível do corpo feminino. É o hormônio que alimenta a mulher com atuação na estética e ação psicológica.
Atua diretamente na beleza externa da mulher, dando-lhe uma pele mais limpa e também conferindo-lhe uma sensação de estar mais bonita e mais disposta.
Para Melissa Antoun, o hormônio funciona como um maestro no corpo feminino. “É ele quem dita as regras”, disse.
Estradiol atua diretamente na libido
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Comportamento da mulher com alta carga de estradiol é chamado de monogamia serial |
Produzido pelos ovários o estradiol é o principal hormônio da vida reprodutiva feminina. É responsável por mais de 300 funções no organismo da mulher, desde a manutenção da temperatura corporal a atuação cerebral em vários sistemas.
É ele o responsável pela memória, cognição, capacidade de aprendizagem, dicção, voz, entre outros.
De acordo com a ginecologista e especialista em hormônios, Melissa Ganam Antoun Guedes, o nível de estradiol no organismo feminino é variante entre as mulheres e também dentro do ciclo menstrual.
Mulheres que têm o ciclo menstrual de 28 em 28 dias, chegam à quantidade máxima de estradiol nos primeiros 14 dias. Por isso, nesse período, que é o fértil, de ovulação, a mulher apresenta maior desejo sexual.
Do meio do ciclo menstrual para a frente, o desejo sexual vai diminuindo. A tendência nessa fase é que a mulher fique mais introspectiva e até mal-humorada. Aparecem os sintomas da tensão pré-menstrual, que podem ser dor nos seios, retenção de líquido, inchaço, cólica, entre outros.
Isso acontece porque os níveis de estradiol no organismo feminino nessa fase do ciclo caem consideravelmente. Eles chegam no mínimo necessário para as funções do organismo e para a menstruação.
Há mulheres que são sensíveis às mudanças hormonais e é perceptível no comportamento, enquanto outras praticamente não percebem nenhuma alteração.
Modelo troca o namorado feio por homens mais bonitos
Apaixonada pelo namorado, com quem se relaciona há cinco anos, Andressa [nome fictício], 27 anos, mantém casos esporadicamente. O relacionamento oficial é cheio de romance.
Eventualmente, o namorado proporciona surpresas que arrancam suspiros da moça. Andressa se sente cada dia mais estável ao lado do rapaz que sonha com o casamento.
Com 1,70 de altura, cabelos com corte chanel pretos e lisos, pele impecavelmente maquiada, sobrancelhas modeladas e olhos cor de mel, a modelo fotográfica diz ter começado a namorar porque sempre gostou da companhia do rapaz.
Ela não se sente à vontade para comentar os relacionamentos extras, mas admite que no que tange à beleza, todos com os quais já ficou eram extremamente bonitos. Quanto ao namorado afirma não considerá-lo bonito.
“Acho que ainda não casei justamente porque ele não combina comigo”, afirmou.
Fêmeas procuram bons genes para procriar
A alternância entre relacionamento duradouro com aventuras com homens mais atraentes, adotadas por algumas mulheres, é justificada pela psicóloga Kristina Durante, principal autora da pesquisa.
Para ela, mulheres mais bonitas buscam mais os dois tipos de recursos por parte do homem e acabam querendo um padrão de qualidade que, às vezes, é difícil de conseguir.
"Na natureza, é difícil conseguir um parceiro que seja, ao mesmo tempo, um bom provedor de estabilidade para se constituir uma família e que tenha bons genes para procriar", afirmou.
A psicóloga explica que é por isso que muitas mulheres não se sentem obrigadas a se comprometer com um determinado parceiro se aparecer outro com melhores "qualidades".
O hormônio estradiol está ligado à fertilidade e à saúde reprodutiva da mulher. Estudos realizados no passado mostram que o estradiol alimenta o desejo de poder em mulheres solteiras.
Segundo essas pesquisas, aquelas mulheres que não tomam pílulas anticoncepcionais estão ainda mais vulneráveis ao hormônio.
Em busca do parceiro para reprodução
Para desenvolver a pesquisa, foram usados hormônios presentes na saliva de 52 universitárias com idades entre 17 e 30 anos, em dois estágios do ciclo menstrual.
As voluntárias também foram entrevistadas. Além de falarem sobre a história sexual, elas se auto-avaliaram quanto à aparência. Em seguida, elas receberam notas, no mesmo quesito, de outros jovens estudantes de ambos os sexos.
As voluntárias com maior nível de estradiol tinham mais histórias de paqueras e de casos com outros homens além de seu parceiro fixo. Em contrapartida, elas também se mostraram mais envolvidas em relacionamentos duradouros do que em romances passageiros ou "ficadas".
Para os autores da pesquisa, não é o sexo casual que essas mulheres procuram. Na constante troca de parceiros, elas parecem adotar, segundo eles, uma estratégia de “monogamia serial”.
Com o termo, os pesquisadores denominaram o comportamento dessas mulheres. Segundo eles, uma constante busca por um parceiro melhor para a reprodução.