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Aposentado teria premeditado crime
Otacílio Franco matou inquilinos; tragédia chocou moradores de Uberlândia
Gislene Tiago - repórter
Atualizada: 14/06/2009 - 15h26min

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O velório do pedreiro aposentado Otacílio Franco Diogo, de 54 anos, estava vazio no fim da tarde de ontem. Mais uma indicação que ajuda a compor o perfil de homem temperamental e de índole violenta traçado por alguns vizinhos e provável estopim para a tragédia da noite de sexta-feira no sobrado de número 12, da rua Roberto Margonari, no Luizote de Freitas, região Oeste de Uberlândia. Pela manhã, Otacílio Diogo chegou a confidenciar a um vizinho que “estava com muita raiva e iria acabar com o povo” que alugava sua casa.

Ele cumpriu a ameaça, que teria começado em um desentendimento com o eletricista Sizenando dos Reis e Silva, 43 anos, há 15 dias. De acordo com os vizinhos, Otacílio reclamava do cachorro sarnento da família e da presença constante de crianças, colegas dos filhos da vítima.    
Na quinta-feira, Diogo teria ameaçado a família. Uma das hipóteses apontadas pelos vizinhos como motivo para os crimes teriam sido duas queixas registradas na polícia pelos inquilinos contra o proprietário do imóvel. Nas duas vezes, a Polícia Militar conduziu Diogo à 16ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Uberlândia. Ele teria se comprometido a dar um prazo de 15 dias para que a família desocupasse o imóvel.

Na sexta-feira, por volta das 18h, Otacílio Diogo invadiu a casa do eletricista e manteve sete pessoas reféns. A polícia foi chamada por vizinhos que viram fumaça saindo da casa. Quatro mulheres foram resgatadas pela janela de um quarto. Em seguida, são ouvidos estouros de bombas de efeito moral e tiros. A polícia invade a casa e encontra os corpos de Sizenando dos Reis e Silva, 43 anos, o filho dele, Salmo Henrique de Freitas Silva, 10 anos, e do enteado, João Victor da Costa Araújo, 8 anos. Otacílio Diogo foi morto pelos policiais militares depois de se negar a negociar e de ameaçar de morte outras pessoas.

Quando Otacílio entrou no imóvel, além das três vítimas, estavam também na casa a mulher de Sizenando dos Reis, Josiana da Costa Araújo, 35 anos, grávida de cinco meses, a filha dela, Amanda da Costa Araújo, 12 anos, e duas adolescentes que as visitavam, Keanny Carolina Ferreira Deca, 9 anos, e Hyanne Carolina Ferreira Deca, 14 anos. Elas conseguiram se refugiar em um dos quartos.

Foto:Paulo Augusto

Local do crime atraiu curiosos na manhã de ontem

Sobrado

A família havia se mudado para o sobrado há apenas um mês. Os inquilinos e o proprietário viviam praticamente no mesmo ambiente. O imóvel de dois andares foi construído por Otacílio Franco e fica em uma esquina, o que lhe dá um formato triangular.

No andar superior há dois apartamentos: um era ocupado por Otacílio Franco e o outro pela família de Sizenando Silva. No térreo há uma garagem, que funcionava como lavanderia, um cômodo de comércio, que estava fechado e outras duas salas utilizadas como quartos pela família de Sizenando Silva. O acesso ao andar superior se dá pelas ruas Celso Fernandes Oliveira e Antônio Merola e o cômodo de comércio fica na rua Roberto Margonari.

De acordo com os vizinhos, um dia antes do crime, Franco teria invadido a casa dos inquilinos na tentativa de intimidar e apressar a desocupação do imóvel. Segundo os vizinhos, ele estendeu uma faixa anunciando a venda da casa e estourava “bombinhas” para assustar os locatários.   

Polícia

As investigações para apontar as motivações do crime foram iniciadas ontem pela Polícia Civil, que na segunda-feira vai ouvir testemunhas e familiares das vítimas. Segundo o delegado regional Samuel Barreto de Souza, os laudos periciais dos corpos e do local ficarão prontos em 30 dias.

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