A história não é nova, mas levanta a cada dia mais discussões. De um lado os consumidores de carne e a comercialização do gado de corte e animais para o abate. Do outro, pessoas que aderiram ao vegetarianismo por não aceitarem o abate animal ou como forma de melhor a alimentação e a saúde. Um assunto polêmico que é tratado também no documentário “A carne é fraca”, que será exibido hoje, às 16h, no auditório do bloco 3 Q do campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). A entrada é franca.
O administrador de empresas Adrival Tarcísio Alves, um dos organizadores da apresentação e representante de Uberlândia na Sociedade Vegetariana Brasileira, com sede em Florianópolis (SC), não come carne há 18 anos e afirma que o encontro é uma forma de conscientizar as pessoas sobre a situação, mesmo para aqueles que não vivem sem carne. “Não tenho dificuldade de viver diante das diferenças. Eu respeito a todos, tanto que muitos da minha própria família não são vegetarianos”, afirmou Alves. “Menos minha irmã e mulher. Sem querer a gente acaba influenciando.”
Casado há 6 anos com Eliana Coelho, ele conta que em cinco meses de relacionamento mudou os hábitos da namorada. “E olha que ela era uma onça. Hoje ela é ainda mais cuidadosa que eu. Não bebe leite e nem come queijo”, afirmou.
Segundo o filósofo Alcindo Bonella, o documentário não tem a pretensão de mudar os hábitos das pessoas, mas diminuir o consumo, educar os maus comedores de carne e conscientizá-los sobre os efeitos ao meio ambiente. A criação de animais para abate e corte, segundo o filósofo, é uma das principais causas de desmatamento das florestas e da Amazônia. “São feitas queimadas para pasto, porque hoje se consome carne em escala industrial. Nisso, os animais têm vida curta e apenas em confinamento. Não tem mais aquela história de animal feliz solto na fazenda”, afirmou Bonella. SERVIÇO: O documentário “A carne é fraca” será exibido hoje, às 16h, no auditório do bloco 3 Q do Campus Santa Mônica da UFU. A entrada é franca.
Os prazeres da carne
| Paulo Augusto |
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Alexandre bem que tentou, mas não conseguiu parar de comer carne |
A carne é necessária
| Beto Oliveira |
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Adrival Alves conseguiu convencer a mulher, Eliana Coelho, a parar de comer carne |
A coordenadora do curso de Nutrição da UFU, a médica nutrologista, pós-doutorada em nutrição clínica, Daurea Abadia de Souza, afirma que a carne possui certas proteínas com alto valor biológico essenciais para uma série de funções do organismo, como para os tecidos musculares, produção hormonal e enzimática.
O alimento, segundo a médica, pode ser substituído por proteínas presentes em grãos integrais, como grão de bico, soja e lentilha ou nas castanhas e nozes. “Têm também os ovos, o leite e seus derivados, apesar de que alguns vegetarianos não comem nem isso”, afirmou a médica.
Ainda de acordo com a especialista a carne vermelha é rica em ferro e vitamina B12. “O ferro encontramos no feijão, soja e folhas verde escuro. A vitamina B12 só mesmo por meio de injeções periódicas”, afirmou.
Mas tudo tem um limite, diferente para cada pessoa de acordo com idade, peso, altura e outros fatores. Carne vermelha em excesso, segundo a especialista pode ocasionar doenças ligadas à arteriosclerose, como angina, infarto e derrame cerebral.
“As proteínas de suplementos alimentares que substituem a carne também podem ocasionar a médio e longo prazo alterações na função renal”, disse a Daurea Souza que, ainda no segundo semestre deste ano, deve implantar dieta vegetariana no Restaurante Universitário do campus Santa Mônica.