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Anastasia assumirá o governo em abril
Vice-governador fala com exclusividade do CORREIO de Uberlândia
Repórter
Atualizada: 10/10/2009 - 21h34min

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O vice-governador Antonio Augusto Anastasia não afirma que é pré-candidato ao governo de Minas Gerais em 2010, mas faz uso de um jargão do futebol para explicar as especulações sobre possíveis candidatos: “política sempre é uma caixinha de surpresas”. Ele disse que a decisão sobre a candidatura ao governo estadual no PSDB será tomada no ano que vem, depois das definições no nível federal do partido. Ele informa que não está descartada a coligação com o PMDB, apesar de o partido não fazer parte da base de apoio ao governador Aécio Neves. “O governador tem recebido com frequência o ministro Hélio Costa.”

Considerando “modesto” o próprio desempenho em pesquisas de intenção de votos em Minas, Anastasia disse que a campanha na televisão e a aprovação da atual administração estadual poderão alterar os números, caso seja escolhido pelo partido para disputar o Palácio da Liberdade.

Anastasia citou exemplos de políticos eleitos recentemente, como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que começaram as campanhas eleitorais com baixos índices nas pesquisas e acabaram vencendo as eleições.

Anastasia confirmou que vai ocupar a cadeira do Executivo estadual em abril de 2010, quando o governador Aécio Neves se desincompatibilizar para disputar um cargo eletivo. Ele disse confiar na indicação do governador Aécio Neves para concorrer à Presidência da República pelo PSDB.

Durante a entrevista exclusiva ao CORREIO de Uberlândia, na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em Belo Horizonte, Anastasia estava no exercício da função de governador. Aécio Neves estava em viagem à Itália para concluir a negociação da transferência dos ativos de transmissão de energia no Brasil da empresa italiana Terna Participações, que foi adquirida em abril pela Cemig, por R$ 2,2 bilhões. Com viagem marcada para Uberlândia na próxima quarta-feira, o governador em exercício também falou sobre a importância do Triângulo Mineiro para o governo Aécio.

CORREIO de Uberlândia - Como têm sido as conversas entre o senhor e o governador Aécio Neves sobre a possibilidade de ele ser candidato a presidente da República?
Antonio Anastasia -
A candidatura do governador Aécio Neves, antes de ser vontade dele, é muito mais um anseio de nós, mineiros, e também de muitos brasileiros. Acho que nosso partido, o PSDB, faria um grande acerto se indicasse o governador Aécio Neves. O outro pré-candidato também é um homem muito preparado e inteligente, o governador José Serra. Mas eu acredito na capacidade do governador Aécio Neves de aglutinar mais partidos. Acredito na sua capacidade política, no que ele fez em Minas Gerais, em sua trajetória e tradição. Além da necessidade de equilíbrio federativo, pois estamos há muitos anos com governos de São Paulo. O governador Aécio tem todas as condições de ser um grande candidato. E sendo candidato, de vencer as eleições.

Não foi isso que a última pesquisa divulgada pelo Ibope apontou. Qual a sua avaliação sobre estes dados? (Na pesquisa mais recente, divulgada em 22 de setembro, o governador Aécio Neves aparece em terceiro lugar na simulação como candidato tucano, com 12% da intenção de votos, atrás do deputado Ciro Gomes, do PSB, que tem 25%, e da ministra Dilma Rousseff, que tem 16%).
Ainda estamos a um ano das eleições. Pesquisa nesta altura avalia o conhecimento sobre o candidato. É o chamado recall dos candidatos que já foram candidatos em outras eleições. É claro que o governador Serra tem um recall muito alto, o próprio Ciro Gomes tem grande recall. A ministra Dilma tem uma situação excepcional, porque ela tem uma exposição na mídia extraordinária e que ninguém tem. O governador Aécio tem contra ele o pouco conhecimento em alguns locais, especialmente, no Norte e Nordeste. Mas este pouco conhecimento ficará completamente ultrapassado quando a campanha começar na televisão, porque uma campanha para cargo majoritário, quer seja de presidente, de governador ou de prefeito nas grandes cidades, se faz basicamente pela televisão. Na primeira eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, ele era ministro da Fazenda, mas muito pouco conhecido, tinha 4% de conhecimento e se elegeu no primeiro turno, porque a televisão mostrou os seus feitos com o apoio do presidente Itamar Franco, na época. Se a pesquisa indicasse que quem está na frente vai ganhar, não precisava ter eleição.

Como será o processo da escolha de candidato a presidente dentro do PSDB?
Por enquanto, teremos as prévias que o governador Aécio Neves lançou, a direção nacional aprovou e estão previstas para o início do ano que vem. Será a primeira vez na história do partido, o que é uma coisa importante. Escutaríamos a alma do partido. Pode ser que até lá, as forças políticas do diretório nacional cheguem a alguma composição. Estamos, por hora, animados com as prévias.

O senhor mencionou o fator “recall” do governador Aécio Neves. Como está o seu “recall” em Minas? O senhor tem números relacionados a isso?
Não. A minha situação em certos aspectos é parecida com a do governador Aécio Neves. Claro que em uma situação de inferioridade em relação ao governador, porque sou muito menos conhecido do que ele. Quando o meu nome é lembrado para o governo de Minas, por hora, é uma especulação, porque não há pré-candidatura posta. Eu tenho dito isto de maneira muito enfática. Na eleição em Minas só teremos um quadro de candidatos no ano que vem. Ainda que grandes nomes, pessoas ilibadas e prestigiadas, já se lancem como pré-candidatos, da parte do PSDB e do bloco que apoia o governador Aécio Neves, isso ainda não existe.

A candidatura depende de quê?
Depende da definição partidária. O grande bloco político de sustentação do governador Aécio em Minas vai decidir o caminho que vai tomar. Nós vamos aguardar as definições nacionais, estaduais. Ainda é cedo no campo do governo. No campo das oposições ainda não sabemos. Por hora, há só conversas, o que é próprio do momento.

A quantidade de viagens que o senhor tem feito pelo estado é um dos principais fatores de exposição do político Antonio Anastasia para o eleitorado mineiro? 
Desde 2007, 2008, fiz dezenas de viagens. Mas, neste ano de 2009, o número subiu. Porque passamos a ter muito mais inaugurações. É bom lembrar que o ritmo do governo é crescente. O número de inaugurações tem sido enorme. Não tenho condição de fazê-las todas e nem o governador Aécio. Ele tem uma agenda nacional muito grande. Estamos em um governo sui generis. Porque temos obras prontas e funcionando sem inauguração. No passado, quando não havia obras, tínhamos apenas placas. Eram só promessas, pedras fundamentais. O interior do estado reivindica, legitimamente, a presença do governo. O nosso estado é descentralizado e, por isso, é ainda mais importante a presença do governador, do vice e dos secretários pelo interior.

Já tendo em vista a eleição de 2010?
Não, porque não se sabe quem vai ser candidato. É a presença do governo. O governo não pode descuidar das suas obras e da presença governamental no interior do Estado. Não há nessas viagens o caráter de fortalecer candidaturas.

É possível haver acordo para uma coligação entre PSDB e PMDB em Minas Gerais?
Sim. As questões políticas são sempre definidas no momento oportuno. O PMDB em Minas Gerais tem uma posição muito importante, é o partido com um número muito grande de prefeitos, é um partido muito enraizado e com grandes nomes: o ministro Hélio Costa, ex-governadores, deputados federais, estaduais. Nada impede que possa haver uma composição, mesmo que o PMDB não tenha participado da chapa do governador Aécio Neves nas duas últimas eleições. É claro que a composição ainda dependerá de tratativas nacionais e regionais. Não há por parte do bloco de apoio ao governador Aécio Neves qualquer restrição. Ao contrário, o governador tem recebido com frequência o ministro Hélio Costa, que é um grande nome. Hoje, o desenho político do Estado é claro. Temos três grandes forças políticas. Pode haver composições.

O que a população do Triângulo Mineiro pode esperar deste fim de governo em 2010, sobretudo em relação às obras estruturantes?
Eu tenho ido muito ao Triângulo. Estou voltando dia 14 (quarta-feira) a Uberlândia...

O prefeito Odelmo Leão publicou no Twitter a informação sobre a sua visita...
O prefeito está moderno (risos). Eu estarei em Uberlândia de novo e tenho observado não só em Uberaba e Uberlândia, mas também em outras cidades menores, a presença muito forte do estado. As pessoas reconhecem que, talvez desde o governo Rondon Pacheco, que é o governador do Triângulo, nenhum governo fez tanto pela região quanto o governo Aécio Neves. Infraestrutura, conjuntos habitacionais, investimentos. Em Araguari, fiquei impressionado com uma fábrica de sucos levada para lá pelo governo do estado, que mostrou arrojo porque a fábrica foi de Goiás para Araguari. Recuperamos aeroportos, estamos empenhados na obtenção dos dutos de gás. Fizemos investimentos expressivos na saúde, como o hospital em Uberlândia. Nos últimos meses de governo vamos dar continuidade.

Em que estágio está a implantação do entreposto da Zona Franca de Manaus em Uberlândia?
Houve um pequeno atraso, porque a crise econômica atrasou tudo um pouco. Mas a notícia que tenho, ainda informal, é que as coisas estão em fase final.

De elaboração do edital por parte do governo do Amazonas?
Isso. Uberlândia hoje é a segunda cidade de Minas Gerais, passou Contagem, passou também Ribeirão Preto (SP). É a grande cidade do Triângulo Mineiro e o entreposto trará um crescimento ainda mais vertiginoso. Vamos precisar gastar mais em infraestrutura, que é responsabilidade do governo do estado. Temos uma parceria muito forte com o prefeito Odelmo Leão. Estamos muito animados com a certeza de que Uberlândia vai progredir muito. Mas não pode ser apenas Uberlândia. Ela tem que ir levando junto as demais cidades. Temos uma região vasta no Triângulo.

Como está o andamento do processo para o asfaltamento da estrada de Campo Florido e da conclusão do contorno Sul do Anel Viário de Uberlândia, uma obra estadual paralisada há mais de dez anos?
Primeiro temos que tentar fazer a conclusão daquilo que está em execução e é muita coisa. O prefeito Odelmo sabe disso e é nosso primeiro aliado. A segunda são os projetos de expansão, os chamados links faltantes. São estradas que ligam alguns clarões. O Triângulo antigamente era separado, tinha o de cima e o de baixo, o do rio Paranaíba e o do Rio Grande, que não se comunicavam. Agora, com as estradas que foram feitas, temos comunicação plena. É claro que grandes obras viárias ainda faltam. Mas estamos fazendo os projetos. Tenho a impressão que teremos as obras no ano que vem, com a recuperação financeira do estado.

Qual a avaliação do governo de Minas sobre as críticas da cúpula da Fifa ao projeto do estádio do Morumbi para a Copa do Mundo? A impossibilidade de o estádio paulista receber jogos importantes, como o de abertura ou de semifinais do mundial, abriria espaço para o Mineirão sediar estes jogos de maior vulto?
Não vou entrar na questão do Morumbi, que é uma questão de administração do São Paulo Futebol Clube, o dono do estádio. O nosso esforço é para transformar o Mineirão no melhor estádio do Brasil em 2014. Coordeno o grupo de trabalho da Copa e o acompanho de maneira permanente. Contratamos o que há de melhor. O Mineirão tem vantagens incomparáveis. Sua localização e o espaço ao redor para expansão. O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira) elogia demais o projeto. Belo Horizonte terá todas as condições para sediar a abertura ou a sede do Brasil.

As cidades subsedes seriam locais de treinamento para delegações?
Sim, para preparação. Mas essa não é uma escolha do governo, é uma escolha da Fifa e das seleções. Vai depender de infraestrutura hoteleira, campos de futebol e estrutura aeroportuária. Isso vai dar visibilidade às cidades. Uberlândia se encaixa neste perfil de subsede não apenas para Belo Horizonte, mas também para Brasília e até mesmo São Paulo.

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