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Contingente feminino ainda é pequeno
Quantidade de mulheres na PM em Uberlândia é equivalente a 10% do efetivo masculino
Renata Tavares
Atualizada: 21/11/2009 - 02h14min

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Mesmo com o crescimento na participação das mulheres no mercado de trabalho, elas ainda são minoria quando o assunto é segurança pública. Em Uberlândia, a instituição em que elas estão mais presente é a Polícia Militar, um total de 115. O número é referente a 10% do efetivo masculino.

Em todo o estado, a Polícia Militar conta com 46 mil policiais, dos quais 3.727 mulheres. O número ainda é baixo, mas, segundo o capitão Gedir Rocha, a previsão é que aumente a participação das mulheres na PM nos próximos anos. ”Existe um decreto assinado em 2007 para aumentar esse número, isso vai acontecer gradativamente.”

O capitão conta que, antes da assinatura do decreto, a lei determinava que a quantidade de mulheres na Polícia Militar fosse de apenas 5% do total de homens na corporação. “A participação delas vem aumentando a cada ano. Em todos os concursos, as vagas são bastante disputadas”, disse.

Já no Corpo de Bombeiros, o número de mulheres é ainda menor. Em Uberlândia dos mais de 400 bombeiros, apenas 31 são do sexo feminino. O motivo, segundo a soldado Vanessa Lima, pode estar no número reduzido das vagas oferecidas para mulheres.

Segundo ela, no concurso em que prestou, em 2007, foram mais de 85 candidatas por vaga. “Os concursos estão cada vez mais competitivos, as mulheres têm procurado a carreira militar, mas o número de vagas ainda é restrito”, disse.

A procura pela Polícia Civil por mulheres, se comparado os dados de 2000 com os de 2009, cresceu mais de 300%. Antes eram apenas 3 delegadas, hoje já são 10. O número de agentes também subiu de 5 para 13 e de escrivãs, de 4 para 16. Já perita que não tinha nenhuma, hoje são 2. Ao todo, hoje, são 41 mulheres na PC contra 12 em 2000.

Uma das primeiras delegadas de Polícia Civil em Uberlândia Adriana Couto Ladeira, que está na cidade desde 1990, revela que esse interesse tem crescido a cada ano. “Muita mulher não se interessa por ser uma carreira difícil, onde tem de lidar com diversos tipos de assuntos e muitas vezes desagradáveis, mas o número tem crescido bastante.”

Preconceito faz parte do passado

Seguir a carreira militar não fazia parte dos planos que a família da sargento da Polícia Militar Inamar Aparecida Militino, tinha para ela. Inamar, que foi primeira colocada no curso de Formação de Sargentos, está há 17 anos na polícia e conta que chegou a se formar em História para realizar o sonho dos pais, o de ser professora, mas a vontade falou mais alto. “Sempre tive esse sonho. Hoje todo mundo me apoia.”

O preconceito por ser mulher e atuar como policial, segundo ela, aconteceu apenas no começo da carreira. “Há 17 anos a comunidade militar e civil não acreditavam muito na mulher como policial militar porque até então a visão era de uma polícia de força, e isso está mudando. Hoje é mais natural.”

Integrante da primeira turma de policiais militares mulheres em Uberlândia, a cabo Rosemary Aparecida Vicente dos Santos está há 22 anos no Batalhão e conta que muita coisa mudou. “A resistência era maior, hoje as pessoas nos respeitam mais.”
Apenas duas mulheres atuam como perito criminalístico em Uberlândia. Renata Ribeiro é uma delas e disse que nunca deixou de realizar uma tarefa ou sofreu preconceito por ser mulher. “Muitas vezes ouvimos piadinhas, mas sempre um sussurro nada explícito. A maioria tem receio em falar certos tipos de coisas.”

Trabalhar com muitos homens, segundo a soldado recém-formada do Corpo de Bombeiros Nayara Máximo Rodrigues, não é difícil. Nayara disse que há muito profissionalismo no local de trabalho. “Quando nós chegamos já havia outras mulheres aqui, então elas já quebraram esse tabu. Aqui dentro, homem e mulher não têm distinção, a mesma tarefa é feita por todos.”
Mesmo trabalhando em um ambiente predominantemente masculino, a soldado não deixa a vaidade de lado. De unhas pintadas e brincos nas orelhas, ela revela que a feminilidade não pode se perder. “Me lembro que estava de sentinela (na porta do quartel) e passaram algumas mulheres e começaram a falar coisas. Elas acham que todos são homens e isso mexe com o ego da gente.”

Momentos de tristeza e emoção

Paulo Augusto

Nayara, Mara e Joyce fazem parte de um grupo restrito e de grande concorrência em concursos

Momentos de tristeza e emoção marcam a carreira policial. Há pouco mais de três anos como perita, Renata Ribeiro disse que recentemente passou por um dos momentos mais difíceis da carreira, o assassinato da adolescente Dyenifer Aparecida dos Santos, de 12 anos, em maio deste ano. O corpo foi esquartejado e parte encontrada numa caçamba de lixo. ”Eu já havia visto cenas tristes de homicídios, mas não que tivesse tanta crueldade. Isso me chocou”, disse.

Salvar a vida de uma criança com apenas 3 anos de idade, vítima de um capotamento, segundo a soldado do Corpo de Bombeiros Vanessa Lima foi o que mais marcou a carreira de pouco mais de um ano. “A fratura no braço da criança era grave, me emocionei muito com ela, porque ela me chamava de ‘tia’ e conversava bastante. Depois fui ao hospital ver se ela estava bem.”

Trabalhar no trânsito uberlandense para a cabo da PM Rosemary Aparecida Vicente não foi uma tarefa fácil. Segundo ela, a maioria dos homens não respeitava as ordens e, não raras vezes, era necessário aumentar a voz. “Por muitas vezes tive de impor respeito, me lembro muito disso.”

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