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VC CORREIO - Um povo heróico e sem memória...
Reflexão
Erivelton Rodrigues
Atualizada: 22/12/2009 - 21h08min

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Sempre ouvi dizer que a memória do brasileiro é curta - e deve ser mesmo. Curta e confusa. Muitas vezes nos comportamos como o cachorro que é espancado pelo dono e imediatamente lambe os pés dele.

Quem se recorda do escândalo da Sivam, levante a mão! Nao sabem o que é Sivam? Eu explico.

Trata-se do sistema de vigilância da Amazônia, que foi criado em 1997, para que a Aeronáutica monitorasse o espaço aéreo da região.

A ponta do chamado "escândalo da Sivam", apareceu em 2006 após um avião da Gol, ter colidido com um jato Legacy, quando sobrevoava a área.

Concluiu-se com as investigações que, embora não tivesse contribuído para o acidente, o sistema de vigilância era falho e incapaz de vigiar a Amazônia. Novas quedas de aviões e a farra do tráfico passaram a ser tragédias anunciadas.

O povo e nossos governantes esqueceram, mas não há problema, afinal, Deus protege quem estiver no ar e aqui embaixo, basta ao atravessar uma rua, o pedestre olhar para os dois lados, verificando se não está vindo algum veículo e para cima, verificando se não está vindo algum avião

Falhas como estas e a omissão quanto as providências, põe à vista, um Brasil, que o mundo não deveria ver. Um Brasil frágil.

E por falar em providência, o Morro da Providência lhe faz lembrar de algum fato? Pois eu faço.

Em 2008, três jovens foram torturados e mortos após serem entregues por militares do exército que ocupavam a comunidade, a traficantes de um morro vizinho. Talvez tenha sido uma falha isolada... Sendo ou nao, a gente esquece.

São vários os fatos que entram para o esquecimento e eles acontecem no céu, no mar e na terra. Se eu tentasse relatar todos, passaria a minha vida inteira descrevendo e não terminaria.

Esta semana por exemplo, tive a sensação de haver esquecido o significado da palavra democracia.

Não por ela, na sua essência, não existir no Brasil, onde o que existe é uma falsa democracia, em que o povo elege os seus representantes não tendo condições educacionais para isso, o que faz com que a escolha de fato, fique em outras mãos.

Tive tal sensação, após ouvir de um oficial do Exército Brasileiro, que a instituição é o lugar mais democrático que ele já conheceu.

Ele se referia a uma democracia nas decisões tomadas dentro do Exército e a uma democracia relacionada ao acesso por parte de qualquer cidadão, que pode passar a integrar a instituição.

Eu pensava que democrático fosse algo que estivesse relacionado ou pertencesse à democracia, algo que se originasse do povo ou que a ele pertencesse. E que democracia por sua vez, fosse uma doutrina baseada nos princípios da soberania popular e da distribuição do poder.

Interessante é que tudo o que vi e ouvi falar sobre o exército até hoje se aproxima muito mais da aristocracia do que da democracia.

Ouvi também um outro oficial do Exército dizer, que foi feito na época da ditadura no Brasil, o que precisava ser feito.

Alguém se lembra do que foi a ditadura no Brasil? Sim, mas em breve esqueceremos, como já tem gente esquecendo e classificando-a como "Ditabranda".

Pelo que tinha visto e ouvido falar até hoje, no Exercito manda quem pode e obedece quem tem juízo. Percebi também que o acesso e a permanência de cidadãos comuns na instituição, não era tão indistinto quanto alguns afirmam.

O acesso de homossexuais por exemplo, é barrado. Quando o filtro falha, o integrante homossexual descoberto é afastado, seja por um problema mental pelo Exercito alegado ou por um motivo qualquer, talvez inventado.

Esquecemos o que aconteceu de ruim, esquecemos o que aconteceu de bom e vamos juntos apagando o passado. Passado que deveria auxiliar na construção real de um futuro.

Tentar justificar o injustificável ou ignorar o passado e o presente não ajuda em nada. Virar as páginas faz parte, apagá-las, não.

O Exército Brasileiro é uma instituição fundamental para a nação, com uma missão preciosa e que merecidamente deve ser respeitada. Uma instituição que acerta muito mais do que falha e quando falha deve fazer uso disso para se aprimorar e não tentar apagar a falha no grito, esperando que todos digam: "Sim senhor."

O brasileiro pode ter a memória curta mas ela não se vai de uma só vez, permitindo que uns lembrem os outros do que foi escrito na história.

Que a nossa senhora da memória nos proteja!

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