O reservatório de água do Dmae, localizado na avenida Comendador Alexandrino Garcia (antiga Industrial), esquina com Rio Grande do Sul, há muito tem tirado o sono dos moradores daquela localidade. Dona Zulmerinda Lopes, cuja casa está localizada ao pé do reservatório, conta que desde a sua construção não sabe o que é dormir em paz. “Você sabe o que é dormir embaixo de um tanque com 5 milhões de litros d’água? É um olho aberto e outro fechado. Fora o barulho infernal que essa coisa faz. Você pensa que vai explodir tudo aqui”, conta ela. Dona Conceição Paiva, que também mora próximo ao reservatório, conta que durante a construção do mesmo ela e outros moradores brigaram para impedir que o projeto fosse levado adiante, mas não tiveram, na época, o devido apoio das autoridades competentes.
| Márcio Paiva |
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| Reservatório Dmae |
Outro motivo de queixa dos moradores diz respeito à desvalorização dos imóveis localizados próximos ao reservatório. Dona Zulmerinda conta que tentou vender a casa onde reside, mas só recebeu ofertas com valores muito abaixo do que o imóvel realmente vale. “Sempre me ofereceram muito menos que a minha casa vale. E a razão é uma só: quem vai querer pagar um valor justo por uma casa que fica embaixo de uma ‘bomba relógio’?”, questiona ela. “Muita gente pode achar engraçado, mas imagine você se esse troço aí enche de água e resolve explodir de uma hora para outra, seria uma tragédia muito grande. Para começar, não existe nenhuma barreira entre o reservatório e as nossas casas”, completa. Dona Conceição conta que aconteceu o mesmo com ela. Pediu a um corretor que fizesse uma avaliação do imóvel de sua propriedade e o valor ficou bem abaixo do que é praticado no mercado. “Quando você vai oferecer o imóvel, ouve sempre a mesma perguntinha básica: e aquela coisa lá, não tem perigo de estourar não? Então, de fato o reservatório jogou o valor dos nossos imóveis lá para baixo”, afirma ela. E arremata com o seguinte questionamento: “quem é que vai pagar esse prejuizo?”.
Mas os problemas não param por aí não. Dona Conceição conta que muitas casas tiveram a estrutura abalada durante a construção do reservatório. “Na época, muitos moradores tiveram prejuizo porque a trepidação que ocorreu durante os trabalhos de preparação do terreno para o assentamento do reservatório foi muito grande e causou rachaduras enormes nas paredes das casas. A Zulmerinda mesmo teve que reformar a casa toda. E tem mais, ainda durante a construção do reservatório, numa noite chuvosa, com ventos muito fortes, tivemos que alertar um dos vizinhos porque as chapas que revestem o reservatório ameaçaram cair em cima de sua casa. Por pouco não acontece um acidente muito grave”, enfatizou ela. E concluiu emocionada: “toda vez que voltamos a brigar por conta desse tal reservatório, fica um sentimento de impotência, de que ninguém está interessado em nos ouvir. O fato é que corremos riscos sim, e o próprio Corpo de Bombeiros já deixou isso claro. Então, fica aqui um apelo às autoridades competentes para que tomem as devidas providências antes que algo de pior aconteça. E seria muito triste no futuro ter que chorar as consequencias de uma tragédia há muito anunciada”.
Márcio Paiva - publicitário
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