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VC CORREIO - A tragédia do Haiti
País precisa desesperadamente de ajuda internacional
Professor Verlaine Oliveira - Professor de Relações Internacionais:
Atualizada: 25/01/2010 - 18h20min

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Professor Verlaine Oliveira de Relações Internacionais:
Os noticiários nacionais e internacionais estão, com toda razão, focados na tragédia natural do Haiti. Trata-se de uma calamidade, onde mais de 100mil pessoas podem ter perdido a vida, segundo organizações não governamentais. Analisando esse fato trágico, alguns pontos devem ser ressaltados: O que ocorreu foi uma tragédia natural? Sim, ocorreu um sismo (tremor) de grande magnitude. A região caribenha, onde se encontra a ilha que forma o Haiti (ex-colônia francesa) e a República Dominicana (ex-colônia espanhola), está numa falha formada entre as placas do Caribe e Norte-Americana. São comuns os grandes abalos nessa área do planeta, diferente do Brasil, país localizado no centro da placa Sul-Americana, portanto mais estável. A magnitude do tremor é proporcional à destruição? Não, o Japão é abalado por tremores de intensidade semelhante, ou até maior, do ocorrido no Haiti e não é observada a mesma intensidade de destruição. O que explica tamanha destruição, especialmente, na capital Porto Príncipe? A precariedade das construções daquele país. No ano de 1999, a Turquia e a ilha de Taiwan foram abaladas por tremores de intensidade semelhante, no primeiro, o governo declarou oficialmente mais de 19 mil mortos, já na ilha rebelde chinesa, esse número ficou próximo a sete mil mortos. A explicação foi a diferença na qualidade das construções entre as duas nações. Na Turquia surgiram denúncias de construções irregulares e, até mesmo, ilegais. Em Taiwan, onde o governo funciona com eficiência, há todo um plano de gerenciamento de catástrofes, especialmente sísmicas, compreendido, inicialmente, pela fiscalização das edificações, das pesquisas em novas metodologias de construção, pelo treinamento da população e das forças de defesa civil. A tragédia no Haiti poderia ser menor se a ONU e as nações mais poderosas do mundo, houvessem atendido aos alertas do governo brasileiro, de outros países com soldados na AMISTAH – missão de paz para o Haiti, de que era preciso mais que soldados para levar a estabilidade ao povo haitiano, eram necessários recursos financeiros e pessoal especializado para institucionalizar um governo de fato, para fomentar a criação de empregos, a erradicação do analfabetismo e o combate implacável à pobreza. O Haiti precisa desesperadamente de ajuda internacional para criar instituições públicas que dêem suporte para a população e, especialmente para as crianças haitianas, para que tenham esperança de uma vida melhor.

Profº Ms. Verlaine Oliveira

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