Quinta-feira, 18 horas e 25 minutos. A última aula do dia (História) parecia demorar muito mais do que o relógio marcava. Meu estômago reclamava de fome e eu contava os segundos para a aula acabar e ir para casa.
Ao fim da aula, como sempre, fui o último a sair da sala, pois não consigo me apressar, nem que minha vida dependa disso! Saí da sala para o corredor deserto e sem iluminação - sem dúvida algum engraçadinho apagara as luzes para fazer alguma brincadeira. Cuidadosamente, andei até o centro do corredor e comecei a descer as escadas. Porém, quando cheguei ao primeiro andar, uma luz me chamou a atenção. Era uma luz branca, refletida num vidro no final do corredor.
Eu estava prestes a continuar a descer quando me lembrei de que as luzes estavam todas apagadas. Olhei, atentamente, para a luz e segui em sua direção. Era uma iluminação bem forte e, após prestar muita atenção, percebi que vinha de dentro da sala do vice-coordenador. Nesse momento, senti os pêlos em minha nuca se eriçarem. O vidro daquela sala possuía uma película escura muito gorssa - a luz tinha que ser, extremamente, forte para brilhar com aquela intensidade, mesmo de longe.
Continuei andando até que parei em frente à janela. A luz era, de fato, muito potente. Embora eu estivesse morrendo de medo, minha curiosidade era imensa. Por isso, respirei fundo e abri a prota. A luz era de um branco cegante. Por dois ou três segundos, não conseguia enxergar nada. De repente, a luz se apagou. Toda a sensação de calor que vinha dela, imediatamente, desapareceu. Olhei para toda a sala, tentando ver algo, enquanto meus olhos se acostumavam com a ausência de luz. Após alguns segundos, percebi que havia algo no chão. Tateando na parede, encontrei o interruptor e liguei-o. Dois segundos depois, desejei que não tivesse feito isso. Um homem de cerca de 30 anos jazia morto em meio a uma poça de sangue no chão com um corte que ia de um lado a outro de sua barriga.
Comecei a gritar, desesperado, sem saber o que fazer. Corri até a entrada da escola e, freneticamente, expliquei ao porteiro sobre o homem morto e o levei até lá. Imediatamente, ele chamou a polícia e a escola foi cercada. Após dar um depoimento de duas horas, fui liberado e chamei um táxi para ir embora, pois meus pais estavam viajando. Não contei a nenhum policial sobre a luz branca - ninguém acreditaria.
Quando cheguei em casa, recebi uma mensagem de texto em meu celular. Ao lê-la, fiquei paralisado, sem saber o que fazer. Ela dizia: "Você sabe meus métodos. O próximo será você." Um minuto depois, ouvi alguém tentando entrar em minha casa e vi, novamente, a luz de um branco cegante.
Winston Carlos Martins Júnior