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VC CORREIO - O Haiti é logo ali
o primeiro grande terremoto, em 1770, devastou Porto Príncipe
Flávio de Sousa Freitas
Atualizada: 27/01/2010 - 11h19min

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 O Haiti é logo ali

Desde  que o caos se instalou no Haiti o mundo vem assistindo à uma mobilização de ajuda humanitária sem precedentes na história, catástrofes acontecem em vários países, o Brasil tem as suas, os países ricos também, mas é quando uma nação pobre é atingida que a sensibilidade humana se desperta.

A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou estado de calamidade no Haiti a partir da constatação de que o abalo sísmico do dia 12 de janeiro devastara a capital Porto Príncipe (Port-au-Prince). O Haiti foi durante muito tempo uma colônia Francesa, mas antes disso já havia sido habitado pelos índios Americanos (Arauaques) que mais tarde com a chegada dos europeus foram mortos ou usados como escravos, desde sua remota história esse é um país que sofre bastante com a exploração de outras Nações e com os catástrofes ambientais.

Os desastres seguem uma cronologia que data deste o primeiro grande terremoto em 1770 que devastou Porto Príncipe e mais recentemente antes do terremoto de janeiro; em 2008 quatro grandes tempestades castigaram a população e suas plantações, cerca de 800 mil pessoas foram atingidas.

Pelos noticiários a tragédia ganha repercussões internacionais devido aos meios de comunicação globalizados, isso tudo mobiliza vários chefes de estado à darem ajuda monetária, enquanto os paises de primeiro mundo estão anunciando suas ajudas milionárias, no interior a sociedade se organiza como pode para dar seu auxilio.

A Cruz Vermelha junto à OMS ( Organização Mundial da Saúde) estimam que os mortos cheguem a 200 mil pessoas, imagina-se quantas famílias foram destruídas e mutiladas, quantos pais de família mortos, quantas mães e irmãos desaparecidos dentre os escombros. O cenário que se vê na capital haitiana é desolador, as ruínas dos prédios tomam as ruas e dificultam o acesso das equipes de resgate, nessa semana a ONU anunciou o termino da busca por soterrados, mas depois disso ainda fora achada uma senhora de 80 anos dentre os escombros com saúde frágil e alto grau de desidratação.

Quem acredita em destino culpará a sorte desse povo que antes mesmo do desastre sofria com violência e com miséria, o Brasil enviava desde 2004 ajuda militar ao país depois que houve uma rebelião sangrenta, segundo informações de resgate pelo menos 14 militares morreram, estavam em missão de paz. O Haiti o país mais pobre das Américas e sua população formada em sua maioria de descendentes de negros africanos trazidos para serem usados como mãos-de-obra escravas parecem ser perseguidos de um mal secular, se estivessem na África estariam sofrendo com a miséria daquele continente que atinge a maioria dos paises, formados muitas vezes de tribos inimigas que dividem o mesmo território.
  
“O caos só começou, o pior está por vir”, foi o que declarou os médicos em ajuda ao Haiti, as pestes, a falta de saneamento básico, a falta de água potável, a distribuição dos alimentos e a correta administração do dinheiro doado parece ter que enfrentar barreiras sociais imensas maiores do que aquelas formadas pelos entulhos e restos de construções. Penso em tudo isso e ainda acredito na força de superação que o ser humano tem dentro de si, um dia tudo isso vai ser contado em uma letra de musica triste, como a Rosa de Hiroxima.

Pensemos nas mulheres invalidas, pensemos nas crianças mortas e nas vivas que ficaram sem seus pais ou mutiladas, pensemos neles como nossos irmãos, se não dividimos o mesmo país dividimos o mesmo continente, o Haiti é logo ali, façamos o que pudermos, se não temos o que dar, façamos um esforço em acreditar em algo maior que o ser humano que possa dar força para viver e entender a triste realidade desse povo.   
      
Flávio de Sousa Freitas – estudante e escritor.

Fonte da imagem:
Foto:http://artigosecronicas.wordpress.com
Leitor escreve artigo sobre a catástrofe na América Central


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