Quem comprou a cartela do Triângulo da Sorte para o sorteio que seria realizado no domingo (21) terá o dinheiro devolvido até o dia 1º de março, caso a Justiça não autorize a entrega dos prêmios no próximo domingo. Esta foi a promessa da Associação dos Profissionais Liberais Universitários do Brasil (Aplub) — empresa gaúcha responsável pelo Triângulo da Sorte Vida Premiável —, comercializado em Uberlândia e região.
Segundo o advogado da Aplub, Leonardo Cartelli, que veio de Porto Alegre (RS) a Uberlândia para uma coletiva de imprensa, a atitude da Polícia Federal em apreender os prêmios e documentos 40 minutos antes do sorteio foi exagerada. “Diferentemente do que foi dito pelas autoridades policiais, esse produto tem autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Uma simples notificação seria suficiente para comprovarmos com documentos”, disse Cartelli.
Ainda de acordo com Cartelli, cerca de R$ 115 mil foram pagos para clientes do Triângulo Mineiro que faleceram até 30 dias depois de adquirir o produto. Segundo o advogado, durante as propagandas diárias na televisão, o consumidor não tinha acesso a essa informação, que era explicada no verso da cartela. “Durante os sorteios ao vivo, aos domingos, sempre era dito que o produto se tratava de um plano de pecúlio e seguro de vida premiável.”
Sorteio foi cancelado após apreensão
O sorteio do Triângulo da Sorte foi cancelado no domingo (21), depois que a Polícia Federal (PF), em cumprimento a três mandados de busca e apreensão, apreendeu os prêmios — quatro carros e R$ 88 mil — além de documentos contábeis, equipamentos de informática, mídias e dois equipamentos utilizados no sorteio.
Segundo o delegado da PF, José Pacífico, a lei autoriza a Aplub a vender seguro de vida com um atrativo em prêmios. “Só que o sorteio passou a ser a divulgação principal, mascarando um possível jogo de azar”, disse Pacífico.
Ainda de acordo com o delegado da PF, a investigação começou depois de uma pesquisa feita na Susep, que determinou, desde abril de 2009, a suspensão da venda dos títulos de capitalização. Caso sejam confirmadas as irregularidades, a Aplub poderá responder por sonegação fiscal, formação de quadrilha, desobediência e estelionato.