Pouco mais de 24 horas após o latrocínio que vitimou a empresária Jaqueline Bernart Barbosa Ferolla, 29, a Polícia Civil de Uberlândia apresentou cinco suspeitos de envolvimento no crime.
Os investigados foram presos na Operação Pathernon, deflagrada na madrugada de ontem (9) em Uberlândia, com outras 14 pessoas. Todos os detidos são acusados de fazer parte de quadrilhas de roubo a empresas da cidade, principalmente, do ramo de eventos e shows. Com os 19 detidos na operação, os policiais apreenderam cerca de R$ 3 mil, quatro radiocomunicadores, que operavam a frequência das polícias, três notebooks, 13 relógios e 23 celulares, possíveis produtos de crimes.
De acordo com o delegado Eduardo Perez Leal, que comandou os trabalhos, as investigações já duravam cinco meses e a polícia investiga o envolvimento dos autores em 10 roubos realizados nos últimos meses. Segundo o delegado, entre os presos, existem várias grupos que atuavam juntos usando o mesmo tipo de ação nos crimes. “Essas quadrilhas são especializadas em roubos utilizando informações privilegiadas passadas por funcionários das empresas. Eles sabem o momento em que os empresários têm grandes quantias em dinheiro em caixa e agem rapidamente. Na fuga usam os rádios com a frequência das polícias”, afirmou o delegado.
Dos cinco suspeitos de autoria no roubo e morte da empresária Jaqueline Ferolla, na madrugada de domingo no bairro Vigilato Pereira, região sul, três confessaram o crime. Rafael Lima Soares, 23 anos, Marcos Paulo Santiago, 22, e Maicon Leônidas do Amaral, 22, disseram ter participado do latrocínio. O último confessou ser o autor do disparo que atingiu o peito da empresária. Segundo o delegado que investiga o caso, Mateus Ponsancini, além dos três confessos, os outros dois suspeitos são Cláudio Rodrigues da Silva, 40 anos, e Gustavo Nascimento Santos, 24 anos. “Eles não confessaram, mas serão indiciados com os outros três. Agora vou ouvir as pessoas que estavam na casa e tenho o prazo de 10 dias para remeter o inquérito à Justiça”, disse.
Suspeitos de latrocínio eram investigados
| Paulo Augusto |
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Maicon Leônidas Amaral confessou ter atirado em Jaqueline Ferolla |
Segundo ele, nos depoimentos, os três suspeitos que confessaram o crime disseram que tudo foi planejado. “Eles já tinham escolhido a empresária e a abordaram quando chegava a casa. Dentro do imóvel, eles colocaram o marido no porta-malas do carro e deixaram as crianças de fora”, disse.
De acordo com Ponsancini, os autores só levaram a quantia de R$ 1,7 mil porque era o que estava na bolsa da empresária e, no momento do disparo, eles se assustaram e fugiram. Maicon Leônidas do Amaral, 22, um dos três confessos, assumiu a autoria do disparo que matou Jaqueline Ferolla. Ele também confessou ter matado um homem, mas foi absolvido do crime. “Eu não atirei, a arma disparou sozinha. A porta prendeu no colchão e eu puxei a arma que estava dentro do quarto, quando ela disparou. Eu não chego a esse ponto, não tenho essa maldade no coração”, disse.
Marido e enteada serão ouvidos hoje
O marido de Jaqueline Bernat Barbosa Ferolla, Walter Barbosa Ferolla Júnior, 32 anos, e a enteada de 10 anos, que estavam na casa no momento do crime, devem ser ouvidos hoje pelo delegado Mateus Ponsancini, que investiga o caso. De acordo com o delegado, além do depoimento, as vítimas também farão o reconhecimento formal dos autores. “Várias ações serão cumpridas pela perícia, entre elas, a comparação de digitais que foram colhidas na casa, exame de comparação de microcomparação balística para detectar qual arma efetuou o disparo contra a empresária e também a análise de dados no celular do marido que foi recuperado”, disse Ponsancini.
Jaqueline teria sido rendida em casa
A Polícia Civil (PC) acredita que a empresária Jaqueline Bernart Barbosa Ferolla, 28 anos, que morreu na madrugada de segunda-feira após um assalto, tenha sido rendida pelos suspeitos quando abria a garagem de casa, na rua Joaquim Vieira Sobrinho, no bairro Vigilato Pereira, região sul de Uberlândia. O crime aconteceu por volta de 1h30.
A empresária chegava da Ferolla Pizzaria, negócio da família na avenida Rondon Pacheco, após fechar o estabelecimento. Ela estava com o dinheiro do caixa.
As informações levantadas pela Polícia Militar (PM) apontam que o marido, Walter Barbosa, a filha do casal, 4 anos, e a enteada da vítima, de 10 anos, estariam dormindo no quarto do casal. Walter Barbosa contou à Polícia Militar (PM) que, ao contrário do que frequentemente ocorria, saiu do estabelecimento do casal por volta das 22h do domingo com as duas crianças. O casal tinha como hábito fechar o negócio juntos. Na manhã de segunda-feira, Walter Barbosa teria que acordar cedo para um compromisso e, por isso, deixou a mulher sozinha na pizzaria.
Os suspeitos entraram na casa com Jaqueline Ferolla, roubado os telefones celulares do casal e cerca de R$ 1,7 mil. Walter Barbosa foi agredido com uma coronhada na cabeça e trancado à força no porta-malas do carro da família.
A execução de Jaqueline Ferolla teria ocorrido dentro do quarto do casal na frente da enteada. O corpo foi encontrado sobre um colchão ao lado da cama do casal. A filha do casal, de 4 anos, dormia e não teria visto a ação dos bandidos.
Ontem, a família comemorou o aniversário da filha do casal, que completou 5 anos. Segundo familiares, a festa foi realizada conforme o desejo da mãe, que organizava o aniversário da filha. Procurado pela reportagem do CORREIO de Uberlândia, Walter Barbosa não quis dar entrevista. Abalado pela violência sofrida, ele demonstrou satisfação com a prisão dos cinco homens suspeitos de envolvimento no crime.