Basta a informação sobre o lançamento de um produto eletrônico para as pessoas pensarem em trocar o que já têm, muitas vezes nem tão velho assim, por outro novinho. Encostados, eles passam a ser um tormento em casa e, na maioria das vezes, é difícil descobrir o que fazer com esse material obsoleto.
São televisores, aparelhos de som e, principalmente, computadores (esse geralmente com uma vida útil pequena) que contribuem para elevar a montanha que se forma de lixo eletrônico (também conhecido por e-waste). Segundo dados do Greenpeace (organização não governamental com atuação na preservação do meio ambiente), são gerados cerca de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico a cada ano em todo o mundo.
Em Uberlândia não há registros oficiais sobre a quantidade de lixo eletrônico produzida, no entanto, existe a preocupação com o destino dele, uma vez que a cidade ainda não possui um posto para a coleta desses equipamentos.
O professor Anastácio Gomes Lamounier sabe bem o que é querer mandar um equipamento embora e ser impedido de praticar a ação. Há oito meses, o monitor velho de um computador e um DVD ocupam lugares que poderiam ser destinados a outros objetos. “É um problema. Não existe um local para que eu possa descartar esses materiais.” O professor acrescenta ainda que, ao sair de viagem, observa a quantidade expressiva de objetos parecidos jogados à beira da estrada nas proximidades de Uberlândia.
De acordo com informações do site da Agência Brasil (www.agenciabrasil.gov.br), essa realidade pode estar com os dias contados. Foi divulgado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) uma regulamentação para o descarte de resíduos eletrônicos que deverá ser obrigatório em todos os estados brasileiros. De acordo com o site, a reunião para discutir as propostas e posterior votação dos representantes do plenário do Conselho Nacional está marcada para maio.
De acordo com a supervisora de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Uberlândia, Edna Franco Gouveia, tão logo vire lei, o município vai se adequar. Segundo ela, não é comum na cidade encontrar equipamentos eletrônicos no lixo coletado pela empresa responsável. “As análises feitas nos aterros sanitários mostram que as pessoas têm o hábito de jogar pilhas no lixo, o que não é saudável para o meio ambiente. Por enquanto, ainda não encontramos outros objetos como computadores ou televisores, por exemplo, mas os catadores são orientados para que, caso encontrem, não os misturem com o lixo comum.”
Assistências técnicas acumulam material
| Foto:Paulo Augusto |
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| José Ricardo possui vasto material pronto para ser reciclado |
O dono de uma assistência técnica em Uberlândia, José Ricardo Soares Siqueira, disse que há cerca de dois anos vendeu mais de 50 computadores para uma loja de reciclagem em São Paulo. Segundo ele, os aparelhos foram montados com peças que estavam encostadas. José Ricardo possui mais de mil componentes eletrônicos como disco rígido, gabinetes e fontes de alimentação para reciclar. “São materiais que não têm nenhuma utilidade. Se mandarmos para o local correto estaremos contribuindo com o meio ambiente.”
Ainda de acordo com José Ricardo, existe um projeto para que a loja dele se torne um local de recepção de lixo eletrônico. “Queremos que comece a funcionar no prazo de um ano. Vamos receber, principalmente, peças de computadores em desuso.”
Sócio-proprietário de outra loja de assistência técnica em Uberlândia, Rogério Bonnas reúne cerca de 1,1 mil peças de computadores, como teclado, em um depósito que ele teve que alugar para esse fim. “Muitos clientes pedem para fazer orçamento do conserto e depois percebem que não vale a pena pagar pelo serviço. Os objetos acabam ficando por aqui. Para eles, não deixa de ser um incômodo, mas para reciclar são materiais que têm valor comercial”, disse Bonnas.
Projeto da USP tenta reduzir lixo
Um projeto recém-criado pela Universidade de São Paulo (USP) recolhe lixo eletrônico de setores internos da universidade e de pessoas físicas que fazem doações. De acordo com a professora Tereza Cristina de Carvalho, diretora do Centro de Computação Eletrônica da USP, os aparelhos que chegam ao CCE passam por análise. “Tudo é cuidadosamente separado e cada componente é enviado para as diferentes empresas de reciclagem.” De acordo com a professora, os sete campi da universidade, localizados em São Paulo, Ribeirão Preto, Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga e São Carlos recebem os e-waste.
Também em São Paulo o local conhecido por Museu do Computador recebe lixo eletrônico da cidade, de municípios próximos e até de estados vizinhos. O sócio-proprietário Breno Valle conta que a preocupação com o destino desse lixo teve início há 10 anos. “Se o material cai no aterro sanitário se torna um meio perigoso para a saúde humana, pois há materiais pesados como cobre e chumbo que são extremamente tóxicos.”
Curiosidades
Se colocássemos os 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico em vagões, o “trem” daria a volta na Terra.
A maior parte dos 315 milhões de computadores que foram descartados no mundo, entre 1997 – quando começou a popularização desses equipamentos - e 2004, foi parar em aterros sanitários (dado MIT – 2009).
No Brasil são jogadas no lixo, anualmente, 1,2 milhões de pilhas, sendo 800 milhões produzidas legalmente e 400 milhões importadas ilegalmente (as pilhas ilegais possuem teores muito mais altos de metais pesados e outros contaminantes).
No mundo estão em uso cerca de 4 bilhões de celulares e 2 bilhões de computadores.
A utilização de computadores emite CO2, gás de efeito estufa.
Como agir em relação ao seu lixo eletrônico?
Se você quer ser ambientalmente responsável no que se refere ao seu lixo eletrônico, siga as orientações abaixo:
Exercite o consumo consciente. Antes de comprar um aparelho, verifique se:
ele contém chumbo (se contiver, não compre)
possui sistema de economia de energia (se não tiver, não compre)
Preserve recursos naturais. Durante o uso, siga as recomendações do fabricante para redução do uso de energia e para aumentar a durabilidade do aparelho e/ou das baterias. Não deixe os aparelhos ligados sem necessidade.
Amplie a vida útil de seu equipamento. Não se desfaça do aparelho por “modismos”. Troque apenas quando realmente for impossível continuar com o que você já tem.
Responsabilize-se pelo destino de seu lixo eletrônico. Para descartar o equipamento usado, entre em contato preferencialmente com instituições que possam reutilizá-lo.
Em São Paulo o telefone do Museu do Computador é (11) 4666-7545
E da USP (11) 3091-6328