Ele relembra a infância em Uberlândia, a primeira vitória, na década de 40, como líder estudantil, os mandatos de vereador, deputado estadual e federal até chegar a ministro emérito do Tribunal de Contas da União (TCU). As memórias pessoais e políticas, fotografias e depoimentos de amigos e familiares viraram livro: “A vida de Homero Santos” (Ed. Escritório de Histórias), que será lançado hoje, às 19h, no saguão da Biblioteca do campus Santa Mônica, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Homero Santos faleceu em Brasília, em 5 de outubro de 2008, poucas horas depois de ter vindo a Uberlândia e votar nas eleições municipais. O político não viu o livro pronto, mas foi fonte viva dessas histórias resgatadas até três dias antes de sua morte - contadas e escritas pela redatora Isabella Versolin Neves. “Conversamos pela primeira vez em 20 de julho de 2008 e o vi pela última vez dia 2 de outubro. Precisei viajar e ele me deu a maior bronca, porque eu não iria votar. Quando voltei, tive a notícia da morte, mas já tínhamos praticamente acabado a parte dele, faltavam só alguns detalhes”, disse a escritora.
O livro de 190 páginas será disponibilizado hoje a R$ 30. A renda adquirida nas vendas de hoje será revertida para a Escola Estadual de Educação Especial Novo Horizonte, em Uberlândia. Depois do lançamento, a obra estará disponível para compra nas livrarias.
Ideia foi da filha mais velha
A ideia de escrever sobre a vida de Homero Santos surgiu da primogênita, Denise Santos. “A minha filha preocupou, porque ele era muito ativo, ficou doente por causa de um problema pulmonar, mas a cabeça funcionava a mil e ela dizia que o pai era um arquivo vivo”, disse Martha Zaiden Santos, viúva do político com quem teve outras duas filhas.
No início, Martha Zaiden relembra que Homero Santos foi resistente em fazer a obra sobre sua vida “Ele disse que tinha passado de hora”. A empatia com a redatora Isabella Versolin o animou a se empenhar no trabalho de resgate. “Ele era muito agradável. Até dos adversários políticos que ouvi deixava uma boa impressão. Em 11 anos de trabalho e com mais de 30 obras publicadas, posso dizer que foi uma das pessoas mais fantásticas com quem já trabalhei”, disse Isabella Versolin.
Paixão pelo Vasco da Gama herdada do pai
Homero Santos completaria 80 anos em 29 de janeiro deste ano. Era filho do comerciante e pedreiro Manoel dos Santos e da professora Juvenília Ferreira dos Santos, que dá nome a uma escola no bairro Luizote de Freitas. Foi com ela que Homero e as irmãs Gláucia, Graciema, Guaraciaba e Galba aprenderam a ler e escrever. Do pai, português nato, Homero herdou a paixão pelo Vasco da Gama.
Do casamento de 49 anos nasceram Denise, Sandra e Luciana. Ele também deixou os netos Lucas, Camila, Maria Fernanda e Luiz Felipe. “Ele sonhava com uma festa de Bodas de Ouro, depois o convencemos a fazer uma viagem, mas infelizmente não foi possível. Esse livro foi muito importante para mim, porque ocupou minha cabeça depois da morte dele”, disse Martha Zaiden, que veio ontem de Brasília para o lançamento do livro logo mais.
UNE
O líder político iniciou sua história pública como secretário da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1949. Foi por duas vezes vereador em Uberlândia (entre 1954 e 1962), deputado estadual e deputado federal por cinco mandatos consecutivos (de 1971 a 1988). Renunciou ao último mandato para assumir o posto de ministro-emérito do TCU a convite do então presidente José Sarney.
Com a morte de Homero Santos, em outubro de 2008, Uberlândia perdeu o último líder do antigo e progressista Partido Social Democrático (PSD) que rivalizava com a União Democrática Nacional (UDN). Com o golpe militar, em março de 1964, e o bipartidarismo, ele passou a integrar a Arena. “A história dele dá uma esperança para a gente. Eu moro em Brasília, no olho do furacão, e sei que o doutor Homero não é um político padrão. Fui à casa dele e a família não vivia de luxo como muitos que vemos por aí”, afirmou Isabella Versolin.
Antes da morte, o cumprimento do dever
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O livro estará disponível nas livrarias após o lançamento |
Homero Santos foi cremado no dia seguinte e suas cinzas trazidas a Uberlândia. “Desde que ele tinha ficado doente, há 2 anos, eu me preparava para sua morte, menos naquele dia. Ele estava tão bem, tão entusiasmado com o livro, com as eleições”, afirmou a viúva Martha Zaiden.
Saiba mais
Livro: “A vida de Homero Santos”
Lançamento: Hoje, às 19h, no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Valor: R$ 30