Carlos Guimarães Coelho

Cultura e arte

Transe Cultural Jornalista e produtor cultural e crédulo de que as artes, em todas as suas modalidades, têm poder transformador.

17/05/2011 6:00

Evolução além do concreto

Jornalista e produtor cultural

Durante algum tempo, em decorrência do ritmo acelerado de trabalho, estive distante da vida noturna e das atividades culturais que movimentam a cidade. Uma distância sentida e lamentada recentemente interrompida pela decisão de tirar o pé do acelerador e buscar a qualidade de vida nas coisas que realmente são importantes.

A maioria de nós se envolve de maneira desenfreada com o trabalho. Mesmo nos momentos de folga, a energia mental e física é canalizada para as responsabilidades que cumprimos durante a semana. Com isso, gradativamente, nos distanciamos das pessoas, coisas e lugares que nos são importantes.

Ao me reaproximar do movimento que alimenta a cidade, tive a grata surpresa de presenciar uma evolução que antevia somente para daqui a alguns anos. Artistas cênicos, plásticos e musicais imprimem uma personalidade, ainda que um tanto tardia, à cidade cosmopolita que avança para deixar no abandono suas características mais provincianas. Nessa empreitada, lideranças oficiais e extra-oficiais se multiplicam na oportunidade de criar mais e melhores formas de expressão para a cidade que insiste em não ser vazia. E é prazeroso presenciar a energia que brota desse esforço que nunca é em vão.
Hoje, seguramente, podemos dizer que, mesmo com atraso e em passos lentos, o desenvolvimento cultural de Uberlândia começa a acompanhar o acelerado progresso da cidade.

Se há poucos anos era possível reconhecer e enumerar os nomes que compunham a cena cultural, hoje há uma legião de novos e expressivos trabalhos, o que promove a diversidade de experimentações e linguagens e desencadeia amadurecimento artístico em todos os níveis.

Se antes tínhamos dificuldade de acesso a uma programação minimamente interessante, hoje, em muitas ocasiões, é difícil a escolha frente à oferta de shows, espetáculos e mostras pulverizados por espaços ainda improvisados.

Se em um passado recente éramos quase obrigados à condescendência e ao elogio fácil e insincero sobre a obra apresentada, por mais desprezível que fosse, hoje o artista local reconhece a necessidade de mostrar-se intenso e coerente na apresentação de seu trabalho.

A cidade amadurece em seus processos culturais. E, em decorrência disso, torna-se mais bela e festiva. A arte, agora com maior comprometimento e qualidade, nos faz crer que a cidade evolui muito além do amontoado de pedras de sua moderna arquitetura.

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