Carlos Guimarães Coelho

Cultura e arte

Transe Cultural Jornalista e produtor cultural e crédulo de que as artes, em todas as suas modalidades, têm poder transformador.

14/06/2011 8:40

A majestade no mundo musical

Jornalista e produtor cultural

Não entendo o fato de Roberto Carlos ser aclamado como rei. Com todo respeito à sua produção, ainda mais bela nas vozes de grandes intérpretes, no escalonamento para uma coroação, eu o colocaria lá pelo 20º lugar. Há muitos antes dele, a começar pela genialidade de Chico Buarque de Holanda, passando pela erudição de Villa Lobos e do magnífico Tom Jobim. Mas, o Brasil decretou e todo mundo assume: a coroa pertence mesmo a Roberto.

Particularmente, prefiro a máxima de que “toda unanimidade é burra”. Algumas composições melosas do “rei” até que me pegam. Se vier então com o canto rasgado de uma Maria Bethânia, ou similares de nosso vasto cast musical, dá até pra abrir um Black Label e esvaziar a garrafa. Mas, poupe-me de coroar o canto grunhido – e pela idade avançada, já sem energia – de um compositor com repertório polêmico e estacionado há décadas. Sei que hoje milhares de pessoas ainda estão suspirando pelo repertório entoado no domingo.

A mim coube outro programa do que compor uma plateia saudosista, se queixando da ausência de uma ou outra composição no tempo limitado do show. Há quem diga que, pelo teor romântico, Roberto é o nosso “Frank Sinatra”. Antes fosse, o poder de intérprete do americano era nitidamente superior ao de nosso representante brasileiro. Me orgulho de outras comparações mais verossímeis, como dizer que Elis Regina foi a nossa “Edith Piaf”.

Como quem já foi rei nunca perde a majestade, basta um passeio pela história da música popular brasileira para localizar grandes compositores e intérpretes que ganharam notoriedade não apenas por músicas para ficar agarradinho, mas por letras criativas e cheias de metáforas, mesmo quando com o apelo romântico. Francisco Alves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Cartola, Noel Rosa, Vinícius de Moraes, entre outras dezenas de nomes, atestam essa verdade. É óbvio que há o mérito de Roberto na conquista deste posto.

Ninguém chega a tamanha popularidade por acaso. O seu trabalho, de modo algum, é desprezível e, como dito, há canções de sua autoria que definitivamente residem no imaginário coletivo de nosso país. Por essa aclamação, contudo, muitos temem falar sobre a legitimidade do tal reinado.

A questão aqui não é “destronar” um rei aclamado pelo grande público, mas sim questionar o senso crítico do consumo musical em um país que, como muitos apregoam, possui a maior riqueza e diversidade musical do planeta. Mas, se levarmos em consideração grande parte do que tem sido lançado nos últimos anos, este senso crítico há tempos deixou de existir. E muito lixo vem sendo coroado para as próximas décadas.

Comentários (8)

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  1. Helton Corrêa disse:14/06/11 18:16

    O Roberto Carlos tem a sua genialidade, mas nada se compara ao Chico, ele é o melhor. ” te perdôo por quereres me ver aprendendo a mentir, te perdôo por contares minhas horas nas minhas demoras por ai, te perdôo porque choras quando eu choro de rir, te perdôo por te trair…” (Mil perdões – O Gênio)

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  2. Ithamar Carllos disse:14/06/11 21:05

    ROBERTO CARLOS REI?

    O Carlos Guimarães Coelho em sua coluna no Jornal Correio – Transe Cultural acha que não.

    Ai está um case de marketing vitorioso. A dupla Roberto e Erasmo não fizeram nada relevante como compositores depois de 1973. Vieram coisas do tipo caminhoneiro, mulher de 40, gordinha de óculos, temas ecológicos sem nenhum engajamento e algumas apelações religiosas, nada mais. O resto é puro marketing. O mérito do ”rei” é manter-se afastado de fofocas, falar pouco, não se envolver com politicagem e guardar um certo mistério em torno de si. Eu acho que um 30º lugar tá de bom tamanho. A geração que o mantém com status de rei é uma geração que não se arrisca em busca do novo. Preferem o rótulo de românticos. E como românticos qualquer breguice tipo Vando, Reginaldo Rossi, Luan Santana, tá de bom tamanho.

    Ithamar Carllos
    Publicitário – MG7 Comunicação

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  3. Antônio Pereira disse:14/06/11 21:11

    Oi, Carlinhos,
    gostei do seu artigo A Majestade no Mundo Musical.
    Não sou fã do RC, mas admiro sua musicalidade e até aceito seu reinado.
    Você conduziu bem o seu raciocínio sobre o cantor e as circunstâncias ,isso é que vale e que pode até mudar opiniões.

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  4. Helton Corrêa disse:15/06/11 16:19

    Eu, Helton Corrêa tenho 21 anos, não cresci nos anos 60, 70 que foi o auge da música nacional e internacional na minha opinião. Sou Beatlemaniaco, sou super fã de Chico Buarque e Gosto de Gilberto Gil, Novos Baianos, João Donato, Villa Lobos, João Gilberto, Vinicius, Tom, Os Mutantes, João Gilberto, Noel Rosa, Cartola, Nelson Rodrigues, Toquinho,Caetano Veloso, Roberto e Erasmo Carlos,e etc… E quanto mais ouço musica nacional, mais percebo o quanto a nossa música é rica, nós temos verdadeiros gênios vivos e gênios que ja se foram mas deixaram sua poesia pra somar na nossa cultura, temos grandes nomes que não são reconhecidos como deveriam, exemplo maior, Chico Buarque, temos poucos lugares, poucos bares bohemios que me faz viajar em um universo de imaginação que eu nunca vivi, diria que seria um tipo de nostalgia, com tantas coisas ditas por pessoas que viveram na época que eu queria ter vivido, eu me vejo viajando por esse universo, como exemplo, ouvindo com açucar com afeto em um bar tomando um bom whisky e viajando… E por falar em Roberto é ridiculo comparar com Luan Santana, Vando … O que seria da jovem guarda sem a dupla Roberto e Erasmo, ouço histórias de como era bom os bailes que tocavam músicas de verdade, que os rapazes chamavam os “brotos” para dançar ao som de esqueça ” esqueça se ele não te ama, esqueça se ele não te quer… ” ou Gatinha manhosa “meu bem já não precisa falar comigo dengosa assim, brigas só pra depois ganhar mil carinhos de mim…” o que seria da nossa música sem essa dupla, talvez eu nem estivesse hoje aqui postando esse humilde comentário se não fosse essa dupla, vejo nesses comentários dessa matéria, opiniões diria que precipitadas, mas opinião é opinião, e lembro que um poeta disse que toda música de amor é brega, então o que seria da música sem a “breguice” ? queria ter vivido nessa época da breguice, do que na época da música sem conteúdo. Sou um grande adimirador da música brasileira, cresci no meio de bambas na minha humilde cidade natal, e ainda creio que a nossa cultura seja um dos maiores pontos fortes que nós temos.

    Helton Corrêa
    Músico e Grande adimirador da música brasileira.

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  5. Maria de Fátima disse:17/06/11 21:38

    Roberto carlos e a Jovem Guarda.Guarda de quê?as tardes embaladas por esta turma nada mais era do que uma camuflagem do que acontecia contra os que eram contra a ditadura instalada nos anos do programa em questão.Poderia ele Roberto e sua Jovem Guarda ter feito o que fazia Elis, que na mesma época apresentava inúmeros shows e publicamente se postava contra o regime em questão.Nunca vimos ninguem dessa côrte que nunca existiu,(Rei só para a Globo e os que são favoráveis à “ditabranda”)erguerem a voz contra os coturnos .

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  6. Carlos Andrade de Oliveira disse:20/06/11 15:30

    Meu caro critico como varias dezenas de milhões de pessoas não comungo com seu pensamento, o Roberto Carlos é sim um artista impar dentro da MPB, cantor e compositor unico, com mais de quinhentas musicas compostas, pelo menos duas centenas de sucessos, conhecido em todo o mundo e sucesso em 31 paises, 120 milhões de discos vendidos.

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  7. Helton Corrêa disse:21/06/11 16:13

    Estava demorando para aparecer alguém com argumentos sobre a ditadura, a questão aqui pelo que eu entendi é a música, por isso quis colocar a minha opinião em prática, porque creio que disso eu entendo.Aí alguém vem e fala sobre ditadura, aah fala sério… não tem um argumento melhor não ? Elis Regina, siim… uma das maiores intérpretes que o Brasil já conheceu, assim como acho que hoje, temos uma grande intérprete que é a Marisa Monte, ela interpretando Roberto Carlos é a coisa mais linda. =D E esses números que o Grande Carlos Andrade postou aqui, ai eu pergunto, será que a Globo tem tanto poder de fazer um só artista ter todos esses números? porque quando o Roberto surgiu creio eu que nem televisão existia, era época das rádios e pelos números que eu vi, Roberto naquela época já se destacava bastante. E uma observação, eu não estou colocando o Roberto como o Rei, mas sim defendendo ele porque contribuiu muito para a MPB, a nossa música é a mais rica do mundo, a mais completa, e ele contribuiu muito para isso. Vejamos, a Globo ultimamente vem colocando música do Chico em aberturas de novelas, fazendo minisséries, convidando bandas que fazem couver dele para tocar no Jô e etc… Tempos atrás não faziam nada disso, e mesmo assim, nada disso influenciou em verdadeiras opiniões, que colocam ele como o melhor hoje, porque quando o cara é bom, nada influencia mais do que sua obra, e vamo falar sério mais de 50 anos de carreira não é pra qualquer um, é pra quem pode mesmo. ” ô loko bicho, que fera meu ” hahaha²²²

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  8. Carlos Guimarães disse:21/06/11 16:47

    Não foi vetado, Maria de Fátima…Ele está lá no site…

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