Carlos Guimarães Coelho

Cultura e arte

Transe Cultural Jornalista e produtor cultural e crédulo de que as artes, em todas as suas modalidades, têm poder transformador.

20/09/2011 6:38

Que público existe em Uberlândia?

Jornalista e produtor cultural

Há sempre muitas queixas da dificuldade de público na cidade. É redundante dizer que todo artista procura por seu público. Shows, espetáculos de dança e teatro, mostras de artes visuais, tudo desemboca em um único objetivo: o maior número possível de espectadores, não importando se tal meta é o desejo honesto de um compartilhamento artístico ou a maior lucratividade, ambas as posturas legítimas e merecedoras de respeito por parte da plateia.

A questão é saber da identidade cultural de uma população, do que ela busca, do que espera e do que pode ser sucesso garantido, embora sucesso nem sempre signifique quantidade. Há movimentos culturais históricos fundados em pequenas iniciativas e realizados em espaços de lotação reduzida.

É equivocada a ideia de rotular o público como desejoso de consumir uma única expressão artística. Quem gosta de música, não significa que goste apenas de música sertaneja, só por que a indústria fonográfica dita esta tendência. Nem se pode dizer que a maioria busca no teatro a diversão fácil dos chamados “besteiróis” e, portanto, indisposta a digerir outras possibilidades cênicas. Em mais de 200 espetáculos que trouxemos à cidade, nunca passamos pelo vexame de uma casa vazia.

Me lembro bem de uma apresentação jazzística que promovemos em um evento popular em praça pública. Temerosos de não agradar na apresentação recheada de hits do sucesso sertanejo, reduzimos o tempo da apresentação. Ao contrário do que prevíamos, as pessoas presentes na praça adentraram na atmosfera do show de um modo surpreendente, até mais do que o habitual nas plateias “iniciadas”. O povo, de um modo geral, consome sem preconceitos a arte que lhes é apresentada e cujo acesso lhes é facilitado. Isso foi comprovado em várias outras produções, dando mais magia à interação entre os artistas e suas plateias, magia essa que dá sentido à existência da arte e de seus criadores.

Cabem no mundo todas as formas de expressão artística. É reservado ao consumidor o livre arbítrio, de conhecer e consumir o que deseja. Se há armadilhas nessa relação de consumo, já é outra história. Se produções “meia boca” se apresentam como altamente profissionais e não são, nem sempre isso significa que tal consumidor foi ludibriado. Ele apenas se deixou levar, sem maior senso crítico, pelo desejo daquele consumo. E àquele artista em cena também é dado o direito de se manifestar criativamente, ainda que artisticamente limitado. Mesmo a história comprovando que produções artísticas essenciais, aparentemente sem grandes apelos, não raramente são embriões de uma força revolucionária, que mudam os rumos da cultura local.

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.