A nobre arte de ensinar
Datas comemorativas existem, quase sempre, para incentivar as relações de consumo e/ou valorizar categorias que na prática não têm o reconhecimento que mereceriam. É o caso do Dia dos Professores, celebrado no sábado, que teve principalmente por meio da internet depoimentos espontâneos e emocionados sobre a importância do ofício.
As redes sociais foram invadidas por mensagens calorosas alusivas ao exercício da profissão. Alguns comentários levaram a refletir sobre o quanto essa “missão” dá norte às pessoas, em todas as profissões e em todos os níveis. Boa parte dos que enveredam por este caminho são movidos por um talento nato, por um desejo de compartilhamento da experiência e dos conhecimentos adquiridos. Em primeira instância, é uma ação de generosidade, uma doação que perpetua o conhecimento e inspira e move as pessoas, cada um na sua busca. Esse consumo de informações que marca boa parte de nossa existência torna-se ainda mais interessante e produtivo quando a arte é usada para transmitir o ensinamento.
Como as centenas de pessoas que se manifestaram na internet, carrego lembranças de alguns professores que ficaram com trânsito permanente na minha memória. Houve a Dona Clarinha, que mostrava vigor e juventude, apesar da idade avançada, e ministrava o ensino de inglês por meio do teatro e da música. Lembro de uma escola movimentada por “eventos” que, a priori, tinham apenas o objetivo do aprendizado da língua inglesa e acabavam por ensinar também a sociabilidade, a cidadania e as artes cênicas.
Léa Barbosa foi outra professora marcante, que incendiou na adolescência a paixão já existente desde a infância pelo teatro. Em seu empenho por um processo criativo dinâmico, realizava montagens teatrais em cada sala de aula, selecionando depois os melhores intérpretes para uma montagem geral na escola. Houve também uma professora de português que recorria ao teatro como ferramenta de ensino e até a matemática já fez uso da arte para sensibilizar alunos e incentivá-los ao aprendizado.
Anos mais tarde, já na faculdade, curiosamente um curso de jornalismo no qual os melhores mestres eram historiadores que trabalhavam muito com foco na cultura, Regma Maria Santos, historiadora de primeira, me “empurrou” para as mãos do jornalista do Estado de Minas, Marcelo Castilho Avellar, crítico de artes, do qual não fui aluno, mas fui estagiário e o considero até hoje um grande mestre.
São pessoas que ensinam diariamente como entender com clareza as coisas mais simples da vida! Que um dia essa profissão seja mais valorizada e todos os professores do Brasil tenham um salário compatível com a nobreza da missão que carregam!
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Roney C GARCIA disse:24/10/11 15:48
Carlos acabei de ler sua coluna, na condição de professor da rede publica de Uberlândia agradeço suas palavras e reflexões. Uma pena que essa sua sensibilidade de valorizar o professor só presente em alguns, pois médicos, políticos, engenheiros, pedreiros esquecem com o tempo os momentos nas escolas de ensino fundamental ou superior e pouco valorizam os professores a base de sua formação. Partindo saudosismo lembro me dos bons momentos na EE Joaquim Saraiva, Messias Pedreiro , diretora Edna, professora Maria Alina, depois Sonia Maneri de Inglês e outros, respectivamente e por ai vai , que colaboraram com minha formação cidadã, ética , moral, profissional e de fé, bons tempos…Finalizando, nós professores estamos em busca de um piso salarial de pouco mais de 1.500 reais, uma nobre arte de ensinar sem valor, um pais forte só se constrói com uma educação valorizada.
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