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Carlos Guimarães CoelhoTranse Cultural

Cultura e arte

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Carlos Guimarães Coelho Jornalista e produtor cultural e crédulo de que as artes, em todas as suas modalidades, têm poder transformador.

6/12/2011 6:40

Deus de pobres e ricos

Carlos Guimarães Coelho Jornalista e produtor cultural

Tenho visto muitos carros adesivados com frases como “Presente de Deus” ou “Foi Jesus quem me deu”. Se por um lado isso revela fé, adoração e agradecimento de motoristas fieis às suas crenças, por outro me faz pensar se o Deus que as pessoas crêem é um Deus que incentiva as relações de consumo do capitalismo moderno. Pensar que sim, frente às desigualdades sociais e a existência de pessoas em estado de miserabilidade, colocaria em xeque o pressuposto de uma justiça divina.

Será que o Deus que as pessoas crêem é aquele que “presenteia” seus filhos com o carro do ano, a casa no condomínio ou a roupa de grife? Não deveria ser um que torna as pessoas melhores, mais conscientes e solidárias? Se tudo na indústria do consumo é norteado pelas tendências ditadas pelos fabricantes e seus comunicadores, não seria este consumo um exercício da mesma vaidade contestada pelos ensinamentos cristãos? Não é contraditório, portanto, achar que Deus presenteia com bens os seus seguidores? Mais além, não compromete a identidade humana, e, no caso dos fieis, a identidade cristã, expressar-se no mundo por meio de posses e não da personalidade?

Penso que uma força motor no seio de qualquer igreja é a ânsia pela prosperidade financeira de seus frequentadores. Em decorrência, acaba sendo esse também o apelo dos dirigentes para conquistar cada vez mais adeptos.

Nessa perspectiva, a engrenagem se instala. Os fieis que querem a paz de uma vida estável, o líder religioso que fomenta esse desejo e recebe deles uma fatia de suas conquistas materiais e a igreja, qualquer igreja, que também se estabelece próspera, assemelhando-se cada vez mais a uma empresa, até mesmo com marketing próprio para divulgá-la.

Nessa semelhança, ela também convive com níveis de hierarquia e de poder e relações por conveniência. Não entramos aqui no mérito se a empresa igreja estabelecida a partir dessa relação oferece, com obras e projetos sociais, a sua contrapartida à sociedade, e nem aprofundamos na representatividade crescente de segmentos religiosos no meio político para garantir a perpetuação do “negócio”.

O que se questiona aqui é a relação direta que muitos religiosos dão às suas posses com a fé que têm em Deus. Não deixa de ser uma forma tranquila de abstrair-se de um mundo cheio de injustiças sociais e isentar-se de qualquer responsabilidade sobre elas.

Do meu ponto de vista, penso que cada um tem as posses pelas quais trabalha e refletem aquilo que valoriza na vida. Se elas determinam quem é a pessoa e se resultam de procedimentos honestos ou de uma “intimidade” com Deus, já é outra história.

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  • Gilberto Gildo disse:6/12/2011 11:39:33

    “Deus de ricos e pobres” – Belo texto, parabéns. Ler seu texto na manhã de hoje me fez lembrar de uma cena que presenciei no aeroporto de Uberlândia no dia de ontem. Uma pessoa com um desses “presentes de Deus” – deixo claro aqui que não vi nenhum adesivo – estacionou sobre a faixa de pedestres, que fica na saída de desembarque e impedindo a circulação dos pedestres e dos carrinhos de bagagens. Ao ser interpelada por um cidadão que alí estava se exaltou e o mandou calar a boca, como se aquela vaga também estivesse destinada á ela por quem sabe… um deus flanelinha? Valeu, um abraço e fica com Deus!

    Responder
  • Nilton Navarro disse:6/12/2011 11:42:07

    Meu nome o NIlton Navarro e gostei muito do que escreveu na coluna de hoje 06/6 como estudante da Biblia comcordo plenamente com respeito a colocação que vc fez com respeito a se pensar se Deus é injusto e presenteia somente alguns de seus servos, o que alguém fez a mais que outros para receber tal “presente” como uma incoerência muito grande alguns pregam a prosperidade material pra provar que seu deus é melhor, mas a Bíblia nos diz que devemos colocar o Reino de Deus em Primeiro lugar e TODAS as outras coisas nos serão agrescentadas (Mateus 6:33) Deus já é o merecedor de todo louvor por nos dar o presente mais valioso que é a vida…não por alguns bens aqueles que os ostentam dariam am troca p/ salvar a sua própria vida….devemos louvar a Deus por tudo que temos mas principalmente pela nova personalidade que que passamos ter depois de conhece-lo como relamente é. um Deus de Amor e sem parcialidades.

    Responder
  • Rafael Cordeiro disse:6/12/2011 11:43:26

    Olá Coelho bom dia, gostei da sua matéria de hoje “Deus de pobres e ricos”, apesar de ler mais a coluna do Morgado achei interessante a maneira de como você tentou transmitir sua opnião sobre esse assunto.
    Apesar de ser religioso concordo com você e sei que muitas pessoas confundem o que realmente é uma benção da parte de Deus, acham que quanto mais possuem materialmente mais estão sendo abençoados. Acho isso uma hipocrisia, visto que Jesus Cristo o próprio filho de Deus veio de uma família humilde e pobre onde a própria Bíblia menciona que ele não tinha onde encostar a cabeça para dormir, será que Deus não abençoava a sua vida? Será que por eu não ter um carro ou uma casa própria significa que não tenho fé e por isso não sou abençoado por Deus?

    Infelizmente, muitas Igrejas e seitas nojentas difamam o cristianismo verdadeiro, fazem de seus seguidores um bando de otários, tiram o seu dinheiro e até o que não tem, com a idéia de que quanto mais doações fizerem mais serão abençoados por Jeová, o verdadeiro Deus.

    Fico feliz porque estudo Bíblia e sei que Deus é muito maior do que tudo isso, e em breve fará julgamento a todos esses líderes hipócritas safados que usam a igreja como meio de ganho, e enganam aqueles que tentam buscar o verdadeiro conhecimento de Deus.

    Tenho paz de espírito e um coração feliz e isso é o que importa, se um dia irei conseguir um carro ou uma casa depende de mim mesmo, do meu trabalho e da minha força de vontade. Quer benção maior que essa!

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  • Anderson disse:6/12/2011 11:45:58

    Boa noite. Difícil julgarmos a fé e o caráter das pessoas apenas pelo adesivo de seus carros.
    Nao poderíamos apenas entender que essas pessoas querem manifestar seu sentimento de gratidão a Deus por uma vitoria alcançada? Obviamente concordo que a mensagem principal do evangelho é : “todos a semelhança de Cristo” com isso é certo que é mais importante ser do que ter.
    Todavia muitos falam de cristianismo sem conhecer a Palavra de Deus. Na Bíblia Deus se apresenta como dono do ouro e da prata. E também chama de filhos aqueles que reconhecem e recebem Jesus como Senhor e Salvador, segundo a Bíblia. Também em outro texto, diz a Bíblia: “se até vós que sois maus sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais vosso Pai celestial”. Então pergunto: que mal há em agradecer a Deus pela dadiva alcançada? Precisamos entender que Deus deu a posse da terra aos homens e só intervem quando solicitado, através das orações. Podemos chamar isso de livre arbítrio. Então, nao procede, no meu entendimento, tentar traçar uma correlação entre as desigualdades sociais (fruto de uma vida e governo distante de Deus, opcao de nosso livre arbítrio) com a crença num Deus criador de todas as coisas. Entendemos que outras religiões, e em outros momentos da história, pregava a pobreza como espiritualidade elevada, mas nunca comungamos desse pen
    samento.
    No mais, nos dias de hoje, muitos grupos e etnias lutam pela sua liberdade de expressão, direito concedido pela constituição, todavia sentimos um certo preconceito quando o assunto é a fé evangélica, nas suas crenças e valores.
    No entanto, as opiniões representam apenas a maneira de pensar de seus possuidores e nao a doutrina e fé de determinado grupos religiosos, muito menos a verdade absoluta, que há de se revelar.

    Responder
  • Lizete Cunha disse:6/12/2011 11:47:13

    mais atormentador que o desvios da crença, é o proselitismo religioso(diligencia,empenho ativista de converter uma ou varias pessoas a uma determinada causa, ideia ou religião). o conceito de TER seguindo caminho contrario ao SER, é perigoso, pois tenderá a criar um espaço vazio na vida dessas pessoas. Os bens materiais são renováveis com o tempo.Temos um CRIADOR que não nos separa de si mesmo, nos ama incondicionalmente, até quando fazemos distinções entre o VERDADEIRO e o GENÉRICO DEUS.

    Responder
  • Roberto Ballestra disse:6/12/2011 11:48:45

    Excelente artigo, Carlos. Muito consciente.

    Penso em reproduzi-lo em meu blog, caso tenha sua autorização, ok.

    Parabéns!

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  • Marco Nagoa disse:6/12/2011 11:49:52

    rs… é cruel né, mas é menos que o que a Igreja Católica fez, vide a colonização, inquisição e outras perversidades.

    Temos auxiliar mostrando outras possibilidades para a criançada nos projetos sociais a longo prazo, no mínimo uns 20 anos no mesmo lugar, ninguém faz isto, então…

    Responder
  • Érika Abdulmassih disse:6/12/2011 11:55:51

    Excelente texto Carlos Guimarães Coelho; boa leitura galera…e reflexão!

    Responder
  • Marino disse:7/12/2011 09:50:54

    Boa tarde,
    Gostei do seu artigo. Penso que Deus é justo e daria presentes para todos os
    homens, sem distinção. Vejo que muitas vezes quem usa o adesivo no carro “presente de Deus”,
    não leva Deus dentro do seu próprio carro. Outra frase que me incomoda, apesar de ser católico
    praticante, é aquela “Sou feliz por ser católico”. Penso que sou feliz porque tenho Deus junto
    de mim e tento seguir o seu caminho, não porque pratico esta ou aquela religião.
    Um abraço. Continue escrevendo. Leio sempre.

    Responder
  • Renato Palumbo disse:7/12/2011 16:58:50

    Também me tem chamado a atenção estes adesivos… Pensei numa outra versão, que diria: “Foi Deus quem me emprestou!”….

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  • Carlos disse:9/12/2011 13:20:23

    Concordo em número, gênero e grau com seu texto! Esta prática de aliar as posses à proximidade de Deus está principalmente ligada às religiões que relacionam o desenvolvimento econômico com a prosperidade espiritual e o que se vê hoje é que nos preocupamos demais com a forma e de menos com o conteúdo.
    Pensemos na oração que Jesus nos ensinou: “Pão nosso de cada dia dá-nos hoje”. Na verdade ele quer dizer que teremos o precisamos e não o que queremos.
    Não vejo mau algum ter sucesso financeiro, no entanto isto não nos faz melhor ou pior que os outros. O importante é o que fazemos com o que temos, ou seja, como a colega disse, o que somos e não o que temos!

    “A quem muito foi dado, muito será cobrado”

    Jesus em nenhum momento se importa com riquezas materiais em seus exemplos deixados. Até porque quando morrermos, só levaremos as conquistas espirituais, sendo todo o restante “transformado em pó”. Quando começarmos a ver que estamos neste mundo provisoriamente, entenderemos que tudo que temos é empréstimo e serão devolvidos quando retornarmos à pátria espiritual!

    Responder
  • Severo Gomes disse:9/12/2011 15:45:23

    O sistema econômico capitalista coopta tudo a seu favor. Hoje, através do deus mercado, tudo tem essa ótica: ele dita seu lazer, a sua educação mercadológica, a sua fé (se essa fé questionar o sistema, rapidamente será escrachada e condenada pela mídia, aliada de primeira hora), enfim estamos sob a nova égide de escravidão, uma real perdição.

    Responder
  • Sandra Arantes disse:19/12/2011 08:03:55

    os homens, em geral associam felicidade a posses materiais, e o poder divino de controlar e permitir certas aquisicoes materiais. A meu ver, esta visao estreita e eminentemente materialista eh que ainda reflete, tanto nos discursos ideologicos/religiosos, perpetuando este modo de ser, pensar…
    nao ha certo, ou errado..mas, certamente existem visoes mais estreitas e mais abrangentes do significado da vida e dos valores principais que a cercam no nosso processo de crescimento e evolucao, seja ele material, ou espiritual..fica ai minha reflexao.. concordando com o texto bem escrito, que traz este importante questionamento: O que realmente Deus quer nos dar, ensinar,?

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