O cidadão de um novo tempo
Que estes dias de ressaca pós-natalina, os últimos do ano, sirvam de reflexão sobre em que ponto estamos na escala evolutiva para a construção de uma cidade melhor. Nossa configuração urbana vai se alterando de um modo surpreendente e nos insere em um contexto de metrópole, provocando o abandono de quaisquer resquícios de província que ainda possam existir.
Mesmo que não seja fácil deixar para trás a mansidão e calmaria de um passado simples, é nessa nova cidade que existimos. É na loucura do ritmo desenfreado, dos carros apressados e da ausência de tempo para si e para os amigos que emerge o nosso ser, desejoso ainda de despertar os sonhos adormecidos na cidade pequena.
Na cidade grande, ainda estamos pequenos. Aguardamos os novos monumentos e lamentamos a queda dos antigos. Residimos nosso pensamento na saudade de uma livre residência entre alegrias e afetos e a clausura de um progresso que traz, junto com as coisas boas, o medo, a violência e a insensatez de muitos corações frios, às vezes conduzidos por egoísmo e narcisismo.
O progresso faz dessas coisas. Liberta de provincianismos que representam atraso de vida e cobra o preço de relações vazias, ações por conveniência, desconfiança e indisposição gratuitas, em detrimento de amizades e convivências de um passado muito recente.
Em 2012, continuaremos assim, recebendo do tempo o progresso que sempre sonhamos e perdendo coisas essenciais de nossa vida pregressa. Teremos mais pontes, mais avenidas, mais prédios, mais shoppings, mais cinemas, mais teatros, mas também veremos algo de nós mesmos se esvaziando no meio de tantas obras, de tanta gente antiga e nova, de tantos carros se multiplicando e se misturando na mistura de classes.
Com a cidade grande multiplicarão também os espelhos. A gente moderna é narcísica. Se perde em picuinhas em nome da conquista de um espaço onde e quando o espaço deveria ser da diversidade e da potencialidade de abrigar a tudo e a todos.
Talvez, se pensarmos na cidade que queremos ter e no povo que queremos ser, seja a hora de quebrar tais espelhos. Não há razões para egoísmos em um mundo que deve ser construído pela soma e não pela divisão. Que tal propor, para si e para os outros, o abandono de boatos infundados e mais disposição em pensar a vida na urbe em nome da coletividade e da qualidade nas relações com seus pares, permitindo que os ímpares também possam torná-la menos restrita?
Que tal posicionarmos neste novo tempo com mais acesso à cultura, gentileza no trânsito, respeito aos consumidores e valorização dos talentos e qualidades de cada cidadão? Nestes últimos dias do ano, apenas pense. Pense apenas.
-
Marisa Helena Guimarães disse:28/12/11 8:11
Muito bom “O cidadão de um novo tempo” Parabéns, pena que as pessoas justificam seus atos pelo progresso. Bom ano para você Carlos, muito mais sucesso, saúde e paz.
-
Dutra disse:29/12/11 8:16
Parabéns, Carlos, pelo seus artigos! Realmente o teor deles mostra o discernimento que você tem em interpretar o que se passa em nossa cidade, em nosso tempo.
Que 2012 seja mais qualidade e menos quantidade para todos! Mais integração, mais solidariedade e mais compaixão!
A cidade que iremos amanhã deve ser construída e pensada agora. Para tal, precisamos deixar os velhos pensamentos de lado e os nossos egoísmos e pensarmos nos outros.Pensar nos outros significa sermos mais gentis em casa, no trânsito, no trabalho, onde quer que estejamos. A tão sonhada PAZ virá da atitude consciente de cada um, fazendo mais pelo outro.
QUE VENHA 2012!
Comentários (2)