Carlos Guimarães Coelho

Cultura e arte

Transe Cultural Jornalista e produtor cultural e crédulo de que as artes, em todas as suas modalidades, têm poder transformador.

17/01/2012 0:01

Boa promessa no feminino da MPB

Jornalista e produtor cultural

Quem ouvir desatento pode pensar que o disco é de Marisa Monte. As vozes são muito semelhantes. Mas, a cantora revelação do Prêmio Multishow 2011 se chama Monique Kessous e, apesar de várias semelhanças com Marisa além da voz, essa soprano carioca de 26 anos chama a atenção por sua originalidade e por mostrar-se, em seu segundo álbum, com potencial para figurar entre as estrelas da constelação feminina da música brasileira.

O disco, que leva seu nome, tem 10 canções autorais e duas releituras. E quando dito releituras, o são de fato. Monique trouxe à luz a bela e quase escondida letra do frevo de Moraes Moreira, “Bloco do Prazer”, um hit de carnaval celebrizado por Gal Costa na década de 1980. Com um quase sussurro melódico, Monique valorizou a poesia da composição, dando novo e contemporâneo fôlego ao trabalho inspirado de Moreira. Outra leitura personalizada de Monique em seu disco foi para a música “Sonhos”, criação de Peninha, popularizada por Caetano Veloso, para a qual a cantora imprimiu um ritmo libertango.

Além de boa intérprete e exímia compositora, a artista traz o mérito de tocar vários instrumentos. No disco, ela conduz violão, guitarra, kalimba, cavaquinho e percussão. Além dela, outros instrumentistas de peso somam consistência ao trabalho. Monique Kessous, o CD lançado pelo Sony Music, conta com participações experientes como Davi Moraes, Cesinha e Paulinho Moska, entre outros. Moska, inclusive, faz participação vocal na faixa “Noites sem luar”.

Esse é o segundo álbum da cantora. O primeiro, “Com essa cor”, de 2008, lançou-a a uma visibilidade na mídia, mas, como trabalho de estreia, ainda não era exatamente o que pretendia fazer. Precisava de uma segunda oportunidade para mostrar a que veio. Mesmo assim, o seu primeiro trabalho acabou sendo a porta de entrada para o mercado. Conquistou espaços importantes, como a inserção de suas canções em trilhas de telenovelas da Rede Globo. Suas músicas estiveram na emissora em “Ciranda de Pedra”, “Paraíso” e “Cordel Encantado”.

O discurso romântico de Monique, embalado por envolventes melodias e sensível poética, conquista os ouvintes em faixas como “Calma aí”, “Repara” e “Frio”, essa última eleita pela gravadora como a música de trabalho do novo disco.

Em tom contemporâneo, com arranjos muito bem cuidados, e no aspecto lúdico de brindar os ouvidos brincando com as palavras, ela também se assemelha ao talento de Marisa Monte. Mas, as semelhanças param por aí. Monique tem a sua própria personalidade musical. E, a julgar por este segundo disco, livre de rótulos, ela vai trilhar um belo caminho no cenário da música brasileira.

Comentários (2)

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  1. Daiane Castro disse:18/01/12 14:45

    Carlos, assim como você sou exímia admiradora desta bela e nova voz brasileira. E já que “os nosso heróis morreram de overdose”, este é um bom e sugestivo momento de apreciarmos e darmos voz e vez a essa safra nova de artistas, e claro, de igual qualidade. Parabéns pela delicadeza no ouvir e no sentir Monique.

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  2. Baltazar disse:21/01/12 13:10

    Eu ouvi as músicas, a voz lembra mesmo a excelente Marisa Monte, mas as músicas da Monique são muito fracas… Tem artistas da música brasileira muito melhores circulando por aii e com tons de voz inconfudiveis. Tem um site chamado ” Musicoteca ” Eh um excelente site que mostra o que o Brasil tem de melhor na música atualmente. Carlos Guimarães eu sempre leio sua coluna, vc eh um bom colunista. Abrass..

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