O Facebook já é pré-adolescente adolescente
No sábado, a rede social de maior repercussão em todo o mundo, o Facebook, completou oito anos de sua primeira postagem, em fevereiro de 2004, 13 anos depois dos primeiros sinais de internet no Brasil, que chegou por aqui há 21 anos e completa, portanto, a sua maioridade. De lá para cá, muita coisa mudou, mas ainda estamos todos nós, no mundo inteiro, nos adaptando a essa nova ordem mundial, revendo conceitos, assumindo novas posturas e, sobretudo, aprendendo a se colocar nesse território virtual, onde ainda há muito por ser desbravado.
Curioso é vermos como a evolução desse sistema foi acelerada em todo o mundo e como alterou os paradigmas da civilização. Com a internet, nós, que já passamos dos 40, hoje vivemos situações antes vistas somente em filmes de ficção científica e imaginadas em um futuro distante.
Mais curioso ainda foi perceber como as pessoas se adaptaram a essa nova configuração de relacionamento. Pessoas de todas as classes sociais, de diferentes níveis de escolaridade e de todas as faixas etárias se adequaram ao modelo contemporâneo do mundo. A avó de umas amigas, hoje com 104 anos, me relatou, na época com 97, suas experiências nos “chats” (salas de bate papo) da internet. Recentemente, com a ajuda de uma das netas, ela criou o seu perfil no Facebook.
Esse é um dos méritos da Internet. Conseguiu a proeza de ser a única ferramenta consolidada de uma real democracia. Por tal, paga-se o preço de alguns transtornos e incômodos. O próprio Facebook, por exemplo, até há pouco tempo, era um terreno virtual de vida inteligente estabelecido como contraponto a um popularesco Orkut que degringolava e perdia força pelos excessos e ausência de privacidade. Privacidade, a propósito, é um termo pouco aplicável na net. Mesmo redes restritas não estão em posição de dar essa total garantia.
O fato é que a internet é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, trouxe novos parâmetros para a contemporaneidade, por outro, também representa perdas de valores e conceitos que representavam a integridade do ser humano. Como a calculadora trouxe a preguiça do raciocínio matemático e aposentou a velha cartilha de tabuada, a internet, mesmo sendo um grande armazenador de todas as informações – úteis e inúteis – do mundo, sinaliza também para a preguiça intelectual, colocando em risco a existência de bibliotecas e espaços culturais.
Folgamos em saber que, desde que o mundo é mundo, há no humano o foco de resistência, que preza e preserva referências que já poderiam ter sido desmoronadas. Assim sobreviveram o rádio, o teatro, o cinema e outras coisas que poderiam ter desaparecido. Assim diminuem as chances de o mundo ser “trash”. Como são algumas redes sociais da internet.
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Lucas Araújo Alves disse:14/02/12 16:21
Belo Texto, meus parabéns !
A falta de ideologia e o sentimento nostálgico parecem ter perdido os seus respectivos valores, e olha que eles são inestimáveis, a banalização da imagem e o culto desenfreado ao consumo tomou conta do cenário global.
É devido a essa nova onda de ”valores” modernos, muitos cidadãos encontram a rede (web) como uma ferramenta, que possibilita a ”edificação” da imagem, o aumento da popularidade e o mais grave a burrice desenfreada. É a nova era, é o domínio do narcisismo.
Como diria meu pai: Geração da Besta Cibernética !
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Carlos disse:23/10/12 11:04
Olá, infelizmente somente hoje pude ler esse texto.
Parabéns, muito bom.
Comentários (2)