A cena tecida pela confraria
O bom de viver em uma cidade de médio porte é acompanhar de perto o amadurecimento profissional de alguns artistas cênicos residentes. É o caso do ator e diretor teatral José Luiz Filho, que comandou sua Cia. Teatral Confraria Tambor em “A nova roupa do imperador ou tecendo vendo”, cuja estreia foi no final de semana passado, no teatro Rondon Pacheco.
José Luiz faz parte da leva de atores contemporâneos que se projetaram para o mercado local a partir da formação acadêmica pelo curso de teatro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), mesmo com sua história iniciada antes.
Ele se enveredou pelos caminhos artísticos na adolescência, em meados da década de 1990, prosseguindo neles em vários grupos, até buscar o aprimoramento na UFU e se consagrar como um bom encenador, comprometido com a qualidade e a pesquisa e sempre disposto à originalidade em suas propostas.
Em a “…roupa do imperador”, realizado com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, que prevê também uma circulação por escolas públicas da cidade, é visível a mão do diretor na cena. Ele soube ocupar o palco com um desenho cênico condizente à proposta de reflexões teatralizadas – e historicamente contextualizadas – sobre as vestimentas de um modo geral, a partir do conto “A roupa nova do rei”, de Hans Christian Andersen.
O cenário, também assinado pelo diretor e o elemento cênico de maior destaque na montagem, contribuiu para que este desenho fosse de maneira segura para o elenco e envolvente para o público.
Se por um lado, diretor e cenário já valem a proposta da montagem, por outro, é preciso uma pequena faxina no castelo. O elenco procura dar o melhor de si, mas se perde frente ao fato de que a montagem não revela a qual público se destina, se ao infantil, espectadores alvos do conto original, ou ao adulto, para onde elenco direciona a energia em busca do riso, o que acaba por deformar momentos criativos que poderiam ser pontuados pelo melhor equilíbrio. Alguns cacoetes, excessos e repetições comprometem o resultado aparentemente pretendido pela direção. Bastaria adotar a máxima de que “menos é mais”.
Não que haja despreparo deste elenco. São atores promissores, mas têm o equívoco de obter a reação divertida. O teatro, enquanto proposta artística, não deve induzir espectadores à diversão. O melhor dele é a perspectiva de as plateias não serem induzidas e os movimentos espontâneos se estabelecerem como o termômetro de alcance da atmosfera proposta.
A diversão está presente na cena. Falta apenas fluir de maneira um pouco mais descontraída e com menos repetições. À parte tais fragilidades, o espetáculo tem bom elenco, se coloca como uma pesquisa original e criativa, levanta no público a reflexão pretendida e é montagem de visceralidade teatral. Isso já basta para aplaudir a iniciativa.
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José Luiz disse:27/03/12 12:16
Obrigado Carlinhos pela atenção com o espetáculo. Agora inicia a segunda etapa do processo: o contato com o público, e assim, o arremate do espetáculo. Suas observações são pertinentes.
Um forte abraço confrariano (José Luiz Filho)
Comentários (2)