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	<title>Transe Cultural</title>
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		<title>O adeus à coluna</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jan 2013 10:59:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[coluna]]></category>
		<category><![CDATA[Transe Cultural]]></category>

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		<description><![CDATA[É muito difícil dizer adeus ao que se ama. Há pessoas, coisas e lugares que ocupam lugar de honra em nossas vidas. Por mais que exercitemos o desapego, a despedida é sempre triste. Chegou o momento de encerrar, ao menos temporariamente, este encontro semanal. Um novo desafio me chama e, para assumi-lo com ética, devo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É muito difícil dizer adeus ao que se ama. Há pessoas, coisas e lugares que ocupam lugar de honra em nossas vidas. Por mais que exercitemos o desapego, a despedida é sempre triste. Chegou o momento de encerrar, ao menos temporariamente, este encontro semanal. Um novo desafio me chama e, para assumi-lo com ética, devo me despedir da coluna. E retomá-la no futuro. Quem sabe?</p>
<p>O que me vem à mente são os textos produzidos ao longo de três anos e oito meses. Revivo cada espetáculo assistido e comentado, cada reflexão sobre as mudanças culturais no país, cada modelo de comportamento instigando leitores e até mesmo cada falta de assunto preenchida com palavras que buscassem significados e ressonância. Melhor ainda são as lembranças da repercussão e dos comentários de concordância e discordância das opiniões proferidas.</p>
<p>A partir de amanhã passo a ser um dos assessores do novo secretário municipal de Cultura, Gilberto Neves. Eu imaginava antes que, ao receber um convite desses, pensaria um pouco mais. Aconteceu ao contrário. Nem precisei pensar no assunto ao ver que o desafio posto vai ao encontro de minha expectativa de continuar contribuindo com a evolução da cultura local. Se até aqui a minha contribuição se deu por meio de realizações de produções com artistas locais e com artistas de fora e também por intermédio de minha atuação como jornalista cultural, agora é o momento de estar na engrenagem do poder municipal para buscar, junto ao novo secretário e aos artistas, políticas públicas que a favoreçam.</p>
<p>Vejo que há grandes expectativas quanto à nova gestão da prefeitura. Eu também as tenho. Só não me imaginava como mais alguém responsável por satisfazê-las. Sei que nenhum governo é perfeito e esse também não será. A perfeição não existe, mas a busca por ela é que trará a consistência dos resultados.</p>
<p>Para mim, sem modéstia, a credibilidade do novo governo aumentou a partir deste convite. Embora eu, há décadas, vote em Gilmar Machado, desde a sua primeira candidatura, sou um ser independente e apartidário, convidado única e exclusivamente pelo meu histórico de atuação e competência técnica na área.</p>
<p>Por outro lado, honro também a posição de independência desse jornal CORREIO de Uberlândia. Pautado pela ética e pela responsabilidade, o veículo não poderia manter em suas páginas nenhum dos profissionais convidados a compor a nova equipe de governo. Assim sempre foi. E continua sendo.</p>
<p>Há um pouco de dor na despedida. Fará falta a oportunidade de repercutir os espetáculos que eu assistir (e agora, certamente, serão muito mais) e o enfrentamento público de questões pertinentes à cena cultural. A vida é feita de escolhas. Nesse momento, a minha é me colocar à disposição dos artistas e gestores culturais para ser um interlocutor junto ao novo governo. E de ajudá-lo a cumprir com excelência as propostas culturais colocadas durante a campanha eleitoral.</p>
<p>Fica aqui registrado o meu carinho grato às pessoas que me leram durante todo esse tempo, que comentaram no site, em meu e-mail, em telefonemas e nas redes virtuais. A gratidão também aos artistas que me inspiraram a tecer palavras que estivessem à altura de traduzir as suas construções.</p>
<p>Obrigado ao CORREIO por me abrigar nessas linhas e ao novo governo pelo voto de confiança em estabelecer comigo uma parceria. Espero honrar o convite e atender ao compromisso público assumido pelo prefeito Gilmar Machado e pelo secretário municipal de Cultura Gilberto Neves.</p>
<p>E me despeço, num misto de alegria e tristeza, de meus queridos leitores. Foi bom demais estar aqui.</p>
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		<title>Os primeiros passos do Municipal</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Dec 2012 09:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Carlos Guimarães Coelho]]></category>
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		<description><![CDATA[O assunto não poderia ser outro. Quinze dias após a morte de seu arquiteto, no fim de semana, depois de muitos anos de espera, o Teatro Municipal de Uberlândia deu início às atividades e estabeleceu o marco que pode ser considerado divisor de águas na história local da cultura.
Com a mesma aura de polêmica de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O assunto não poderia ser outro. Quinze dias após a morte de seu arquiteto, no fim de semana, depois de muitos anos de espera, o Teatro Municipal de Uberlândia deu início às atividades e estabeleceu o marco que pode ser considerado divisor de águas na história local da cultura.</p>
<p>Com a mesma aura de polêmica de seus anos de construção, a primeira noite da semana de inauguração se deu marcada pela emoção de alguns e insatisfação de outros. A emoção estava contida naqueles que tiveram acesso a um convite e a indignação tomou conta das redes sociais com questionamentos sobre os critérios adotados para estabelecer a programação inaugural e a preocupação sobre como se dará a gestão do espaço.<br />
No discurso emocionado da atual secretária, Mônica Debs, em seus últimos dias no cargo, o tom, além de agradecimentos acentuados ao prefeito Odelmo Leão, que também se despede do governo, era de valorização da classe artística &#8211; não muito valorizada naquele primeiro momento, é verdade. </p>
<p>O espaço é maravilhoso. Uma sala moderna e aconchegante, mas, com a parte técnica – de vital e extrema importância &#8211; ainda inacabada. Estranhamente, na noite de gala de abertura oficial das portas, com direito a descerramento de placas e presença dos maiores patrocinadores de Uberlândia, pouquíssimos artistas, além dos músicos que se apresentaram, estavam presente. E não foi por falta de desejo. Foi por falta de convite. Era fundamental que naquele momento houvesse mais artistas. Não serviu de consolo, mas nas três noites seguintes foi a vez deles. Imperou a diversidade de atrações locais que comoveram o público ora absorto pela qualidade das apresentações ora pelo encantamento com a suntuosidade do novo espaço. Aí sim, na plateia esteve também boa parte daqueles que nos próximos anos deverão pisar naquele palco.</p>
<p>O importante é atermos ao que é permanente. Se hoje há insatisfeitos e preocupações, isso se resolve com consistentes políticas públicas e gestão compartilhada. O fato é que o Teatro Municipal de Uberlândia veio pra ficar. É sonho realizado. Agora, é buscar a realização de outros igualmente importantes, como a criação de uma Orquestra Sinfônica Municipal, de um corpo estável de dança e de um grupo de teatro, ambos em nível profissional, para serem oficialmente residentes nesse mesmo teatro, além de ações paralelas que foram plataforma de campanha do novo governo, como a criação de um Conservatório Municipal de Música e reerguer o teatro Grande Otelo. </p>
<p>Não desprezando as iniciativas de tempos anteriores, o Teatro Municipal de Uberlândia representa o início de novos tempos para a cultura local. A partir dele, favorecendo também outras ações e outros espaços, artistas e espectadores aprenderão como trilhar esse novo caminho. </p>
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		<title>Estamos todos no limbo</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Dec 2012 08:45:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cláudio Henrique]]></category>
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		<category><![CDATA[trilha sonora]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quem diga que a arte tem efeitos curativos. Para outros, ela nasce a partir da cura. Feliz do artista que consegue expressar-se nesse limiar e trazer para a cena o tratamento das feridas que constroem e desconstroem o ser humano. Um compartilhamento dessa natureza foi brilhantemente edificado pela atriz Teta Campos no espetáculo “Maria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem diga que a arte tem efeitos curativos. Para outros, ela nasce a partir da cura. Feliz do artista que consegue expressar-se nesse limiar e trazer para a cena o tratamento das feridas que constroem e desconstroem o ser humano. Um compartilhamento dessa natureza foi brilhantemente edificado pela atriz Teta Campos no espetáculo “Maria Padilha”, que realizou temporada de estreia na semana passada. </p>
<p>A construção foi pautada também pela visível direção de Marcelo Ribas, pela assessoria coreográfica de Cláudio Henrique e por uma trilha sonora assinada por Moisés Mota, que funciona perfeitamente como interface às aflições e libertações que a montagem propõe.</p>
<p>Mesmo em se tratando de delicadezas da alma, a presença da atriz impõe-se vigorosa. Sempre me impressionou como alguns atores conseguem, fisicamente mesmo, crescer sob os refletores. Lembro-me, em vários momentos, de alguns com baixa estatura agigantarem no palco. Nesse caso, a atriz é uma mulher alta, mas pareceu-me ainda maior pelo vigor de sua presença cênica, pelo preparo corporal, pelo vai-e-vem de personagens contracenando consigo mesma em uma espécie de plano espiritual onde a guerra é pela honestidade do comportamento e pela derrubada da hipocrisia e dos preconceitos.</p>
<p>Quando a personagem Dona Carlota se contrapõe às provocações da entidade Maria Padilha, a vestimenta preta, com o peso de falsa moral e de falsos costumes, é substituída pela sensualidade e beleza de um quente vermelho, e nos traz a certeza que, em nós, toda alma é cinza. Em nível geral somos todos condicionados e comportados à espera de milagres que nos retirem de um limbo emocional e nos coloquem na plenitude da existência, física inclusive. </p>
<p>Na contracena monocromática de Dona Carlota com a vermelhidão explosiva de Maria Padilha, Teta transita entre as duas arrancando de si o melhor que possa traduzi-las. Raramente uma construção teatral tão densa provoca com leveza uma viagem dos espectadores em torno de si mesmos. </p>
<p>A atriz, seguramente, inspirou-se em questões bem pessoais para conceber a obra e estabelecer essa fusão da dualidade. Mas, ao fazê-la, trouxe para o espetáculo, como deve ser em se tratando de uma produção artística, a possibilidade de leituras personalizadas, que se encaixem na “luta espiritual” de cada um. </p>
<p>Para muitos, Padilha é a representação legítima de um mundo espiritual que nos cerca. Para outros, apenas a metáfora de que estamos sempre em guerra interna pela busca de sentimentos e sensações que nos façam seres mais verdadeiros.<br />
Não importa a leitura. O fato é que a cena proposta traz consigo a missão cumprida, de expor as mazelas e fragilidades que possuímos e, na maior parte das vezes, alimentamos.</p>
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		<title>Lei reduz contrapartida</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Dec 2012 08:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[gestão cultural]]></category>
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		<category><![CDATA[Incentivo à Cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada uma notícia trouxe novos paradigmas para a cena da cultura mineira: caiu por terra a contrapartida obrigatória na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, grande entrave para a maior parte dos gestores culturais em Minas. Isso pode significar evolução a partir do ano que vem.
Explicando: projetos aprovados na concorrida lei de fomento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada uma notícia trouxe novos paradigmas para a cena da cultura mineira: caiu por terra a contrapartida obrigatória na Lei Estadual de Incentivo à Cultura, grande entrave para a maior parte dos gestores culturais em Minas. Isso pode significar evolução a partir do ano que vem.</p>
<p>Explicando: projetos aprovados na concorrida lei de fomento do estado, em muitas ocasiões, deixavam de ter o incentivo captado pelo simples fato de o patrocinador ser obrigado a colocar a mão no bolso. Ou seja, na versão atual da Lei, a empresa incentivadora tem direito a deduzir 80% no ICMS devido ao Estado, devendo os 20% restantes ser repassados ao projeto, sem direito a abatimento. Na quarta, a Secretaria Estadual de Cultura propôs a redução para 1%, 3% ou 5%, dependendo do porte da empresa incentivadora. A medida, que vigora por 10 anos, provavelmente favorecerá investimentos culturais no interior e deve trazer para a cena cultural empresas de médio e pequeno porte, o que é um avanço.</p>
<p>É irônico comemorar isso e atestar que a cultura só possa ser incentivada se o patrocinador não investir nenhum centavo ou poucos centavos. Mas é essa a principal e quase única ferramenta dos artistas que querem se manter no mercado. São raros os que trabalham com outros mecanismos. Como já dito em colunas anteriores, a velha figura do mecenas, que patrocinava o artista por acreditar em sua arte, é coisa do século passado e não vai ressuscitar jamais. E não há consolo que justifique o fato de o mecenato sair da esfera da espontaneidade e comprometimento e se consolidar exclusivamente na renúncia fiscal do governo.</p>
<p>A comemoração vem mais pelo fato de essa medida do governo mineiro ser uma conquista do setor cultural em Minas. Há anos alguns gestores pleiteiam isso e há meses está circulando na internet uma petição pública propondo o fim da obrigatoriedade. Isso demonstra que quando os artistas se unem as conquistas acontecem. Deveriam se unir, por exemplo, para acabar com o incentivo e transformar tudo em fundo, municipal, estadual e federal. Para os governos tanto faz. Para os artistas faz toda a diferença.</p>
<p>É engraçado lembrar que a lei estadual surgiu para impregnar a prática do patrocínio em Minas. A expectativa, quase utópica, era que tal hábito se engendrasse em uma perspectiva tão bilateral que, após alguns anos, ninguém mais ligasse para isenção dos impostos. Doce ilusão. A bilateralidade nunca existiu e a isenção fiscal sobrepôs-se à iniciativa artística.</p>
<p>É essa a tradução da contemporaneidade. O mundo fica mais pragmático e as subjetividades da arte cedem aos devaneios do mercado. Empresários ditam não somente as regras, mas também a política cultural de alguns municípios. Seguindo as suas próprias conveniências, é claro.</p>
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		<title>Quem responderá pela cultura?</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Dec 2012 09:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Carlos Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[Época de transição política e ouço algumas especulações sobre quem vai conduzir a gestão cultural do município nos próximos quatro anos. Curiosamente, de um modo geral, há debates inflamados sobre todas as pastas e, até ontem, quase uma indiferença sobre o nome daquele(a) que vai responder pelo desenvolvimento da cultura local neste momento estratégico para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Época de transição política e ouço algumas especulações sobre quem vai conduzir a gestão cultural do município nos próximos quatro anos. Curiosamente, de um modo geral, há debates inflamados sobre todas as pastas e, até ontem, quase uma indiferença sobre o nome daquele(a) que vai responder pelo desenvolvimento da cultura local neste momento estratégico para a cidade.</p>
<p>Na edição de ontem do CORREIO, quando este artigo já estava redigido, houve a aposta do jornalista Arthur Fernandes no nome de Gilberto Neves, uma boa indicação, de pessoa articulada e pronta para abrir o diálogo com todas as formas de expressão cultural.</p>
<p>Para estar à frente dessa secretaria, é preciso reunir um time de pessoas que tenham afinidades com a área, conhecidos dos artistas e que falem a linguagem do meio. Não precisa grande erudição ao ponto de dominar todas as questões relativas à cultura popular e às artes cênicas, visuais ou musicais, mas que tenham a sensibilidade artística para se colocarem como interlocutores, conhecendo e reconhecendo as diversidades, necessidades e expectativas de cada modalidade.</p>
<p>Percebo a cena local dividida em momentos marcantes, desde os primórdios da Secretaria Municipal de Cultura, quando nasceu de uma forma revolucionária e teve à sua frente, na primeira gestão, uma mulher sábia e sensível, Iolanda de Lima, que promoveu o acesso, a capacitação e a sensibilização para todas as formas de arte até a secretária mais recente, Mônica Debs, que veio da área de música e conduziu a pasta de forma digna e com grandes conquistas. </p>
<p>Iolanda de Lima, seguramente, foi uma grande gestora. Com seu staff criou e fomentou projetos que impulsionaram a cultura local para um novo patamar. E boa parte deles permanece até hoje. Não desprezando as demais gestões, que tiveram iniciativas pontuais de importância e consistência artística, a escolha mais acertada para o início foi a de Iolanda, personalidade histórica com a qual os artistas locais têm uma dívida de gratidão.</p>
<p>Os anos se passaram e é como se estivéssemos no mesmo momento, de um tempo pedindo transformações emergentes e direcionamento para uma nova forma de se produzir e se consumir arte na cidade. Uberlândia cresceu e, lamentavelmente, não foi promovido um desenvolvimento cultural compatível com o seu acelerado progresso. Ainda assim, estamos em tempo de recuperar as oportunidades perdidas e elevar a arte ao seu status de promotora de uma urbe mais humanizada.</p>
<p>Nesse momento é importante passar por cima dos interesses pessoais e das articulações políticas e colocar as pessoas certas nas posições estratégicas. Se não pessoas completamente inseridas em cada setor, que tenham, pelo menos, trafegado por ele algum dia. Que falem a mesma língua dos artistas e, acima de tudo, entendam os processos culturais como agentes transformadores da sociedade.</p>
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		<title>Finalmente, o nosso teatro municipal</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Nov 2012 08:43:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[inauguração]]></category>
		<category><![CDATA[teatro municipal]]></category>

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		<description><![CDATA[Que alívio. Que glória. Que momento histórico. Somos testemunhas oculares do início de um novo tempo na cultura teatral de nossa cidade. Depois de uma espera de quase duas décadas, em alguns dias, será enfim inaugurado o Teatro Municipal de Uberlândia.
Como é bom esquecer o sofrimento e angústia do passado e imaginar um futuro pautado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que alívio. Que glória. Que momento histórico. Somos testemunhas oculares do início de um novo tempo na cultura teatral de nossa cidade. Depois de uma espera de quase duas décadas, em alguns dias, será enfim inaugurado o Teatro Municipal de Uberlândia.</p>
<p>Como é bom esquecer o sofrimento e angústia do passado e imaginar um futuro pautado por grandes espetáculos e pelo fomento a uma produção local à altura da suntuosidade desse monumento. Será provado aos pessimistas que a cultura não tem vocação para ser “elefante branco” e este espaço irá se configurar como um templo cultural, ocupado com a grandeza e dignidade de grandes artistas.</p>
<p>Enfim, a classe artística dará um basta a espaços improvisados. Não será mais necessário padecer na disputa por uma apertada pauta no teatro Rondon Pacheco, embora ele não deva jamais ser esquecido. Que seja como o velho tênis sujo e a camiseta surrada que gostamos de usar. E agora, mais do que nunca, em um movimento paralelo a todos os movimentos que possam emergir a partir dessa nova fase, que o teatro Rondon continue sendo espaço de grandes conquistas artísticas e multiplicador da fé cênica acumulada pelos artistas da área que também se multiplicam pela cidade.</p>
<p>O entusiasmo dessas linhas se dá pelo acompanhamento da história, que aponta a ausência de espaços como o grande entrave para o desenvolvimento cultural da cidade. Uma fase turbulenta que parece chegar ao fim. A agonia de décadas dos artistas locais está chegando ao fim. E não é utopia afirmar isso. Não que a inauguração do teatro vá solucionar as crises e eventuais marasmos do teatro local. Mas pode ser o início de um novo tempo. Abrir as portas do Teatro Municipal de Uberlândia é projetar o lançamento de uma nova fase da cultura local.</p>
<p>Se junto ao novo teatro vir uma justa política de ocupação e consistentes projetos &#8211; exclusivamente culturais &#8211; que o sustentem e o mantenham em intensa atividade, viveremos sim um novo tempo de arte em nossa história. Se houver comprometimento real e imediato com os resultados que o lugar pode trazer para a nossa cena cultural, outros locais, de diversos tamanhos e localizações irão proliferar pela cidade, seja por meio do poder público ou da iniciativa privada.</p>
<p>Aí sim, mais ainda, teremos a cultura pulsando e contribuindo para a consolidação de uma nova Uberlândia, mais culta, mais questionadora e mais humana.</p>
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		<title>Os acertos e excessos do “Soul da Terra”</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Nov 2012 08:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[soul da terra]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei quem introduziu na contemporaneidade o conceito de que palco bom é palco cheio. Ao artista por excelência basta a luz e uma boa cena. Madonna e Lady Gaga, entre outros, contrariando a regra de que “menos é mais”, levam isso à exaustão. Ainda assim, é bom perceber construções cênicas locais sustentadas na compreensão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sei quem introduziu na contemporaneidade o conceito de que palco bom é palco cheio. Ao artista por excelência basta a luz e uma boa cena. Madonna e Lady Gaga, entre outros, contrariando a regra de que “menos é mais”, levam isso à exaustão. Ainda assim, é bom perceber construções cênicas locais sustentadas na compreensão de quem se atualiza no campo da arte e oferece ao público a vanguarda do que acontece nos principais palcos do mundo. O risco que se corre, no entanto, é que tais elementos se percam na ausência de uma proposta conceitual consistente. Na sexta, houve uma fusão dessas tendências no espetáculo “Soul da Terra”, dos grupos TerraCotta e Nega Soul. </p>
<p>Mesmo em se tratando de uma bela iniciativa, o resultado seria mais convincente caso não houvesse o desejo de ser tão espetaculoso. Comprometeram o resultado a luz “espetacular” e o palco sempre repleto de planos dispensáveis.<br />
As canções são belas, interpretadas por cantores e músicos de grande virtuose e bailarinos talentosos e ávidos por se expressarem por meio dos movimentos. Mas, com o uso múltiplo de elementos cênicos, perde-se pelo excesso de informações o escopo inicial do espetáculo, tornando-se um daqueles casos em que a música devora a cena. </p>
<p>Nela, merecem destaque o timbre, a sensibilidade artística e o domínio técnico da cantora Cláudia Luz, que sobressai às boas interpretações de sua irmã, Cleide Luz, e de Adriano Ribeiro. A presença musical deu o tom da apresentação, pecada apenas por não estar em maior elo e sintonia com a proposta coreográfica do grupo TerraCotta, alavancada por bons bailarinos, mas que acabam frustrando pela ausência de uma demonstração mais eficaz de suas potencialidades artísticas e físicas, por mais que alguns movimentos acrobáticos tentem dizer o contrário. </p>
<p>No geral, “Soul da Terra” agrada muito, seja por sua estética espetacular, pela música, por algumas isoladas intervenções de dança que se mostram ousadas mesmo não mergulhando nessa ousadia, ou ainda pela disponibilidade, pelo desejo e pela entrega à construção artística de um momento de reverência à cultura negra, tributo difícil, que deveria ser mais vasto para que ela fosse efetivamente representada.<br />
Fazer uso de uma temática tão imponente requer inventividade para não cair na vala do senso comum. Nesse sentido, afora momentos de obviedade, a montagem é bem-sucedida. Não explora, por exemplo, o lugar comum do sincretismo religioso e dos batuques e percussão. A montagem conquista espectadores com repertório elegante e presença vocal de alta performance. Bailarinos, na apresentação e desempenho pessoais, também correspondem a essas expectativas. </p>
<p>A habilidade corporal de todo o elenco é visível na cena. Faltou-lhe a oportunidade de mergulho em uma concepção coreográfica um pouco mais acentuada e em consonância mais criativa com a música e com o tema.</p>
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		<title>Os tempos áureos do Festival de Dança</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Nov 2012 20:30:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o tema “Dança, comunicação e visibilidade” na semana que vem começa um rito cultural que acontece há 24 anos e já teve os seus momentos de glória na cidade: o Festival de Dança do Triângulo. É curioso rever a sua trajetória, com as oscilações típicas dos eventos que entram para o calendário oficial de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o tema “Dança, comunicação e visibilidade” na semana que vem começa um rito cultural que acontece há 24 anos e já teve os seus momentos de glória na cidade: o Festival de Dança do Triângulo. É curioso rever a sua trajetória, com as oscilações típicas dos eventos que entram para o calendário oficial de uma cidade, e lembrar suas origens, por iniciativa de Elizabeth Brito e Lizette de Freitas, entregue como um presente à prefeitura, para fomentar a área e promover o turismo cultural no município.<br />
O festival já foi um dos maiores do país, estando em pé de igualdade com o de Joinville, considerado o mais importante de todos. A nossa versão já movimentou a cidade, atraindo bailarinos, pesquisadores e estudantes de todas as regiões. Se voltarmos no tempo, há filas enormes na porta do ginásio do UTC e plateias lotadas assistindo às atrações da grande festa, que muitas vezes entravam madrugada adentro.<br />
O envolvimento era tanto que, além da programação de espetáculos, de palestras e de oficinas, artistas e casas noturnas promoviam encontros artísticos e festivos para agregar valores ao evento. Até mesmo a comunicação era cuidadosa. Durante alguns anos, o festival manteve um jornal interno, que trazia tudo sobre o evento e seus participantes. Na publicação estrearam, como estagiários, jornalistas que hoje comandam importantes veículos da imprensa local.<br />
Houve tempos de mostra competitiva e outros, em fase mais madura, de apenas reflexões sobre a dança e intercâmbio cultural, sem alimentar o desejo de troféus e medalhas. E quando parecia estar decolando, momento em que a cidade começava a assimilar a proposta, o evento começou a degringolar.<br />
Talvez o início desse declínio tenha sido quando, sob o pretexto de uma melhor elaboração, houve a tentativa de transformá-lo em bienal. Perdeu fôlego. E o interesse da população dispersou-se.<br />
Talvez tenha sido um erro retirar o evento do UTC, local de fácil acesso e popular. Quando o festival foi transferido para o Praia Clube as pessoas ligavam na redação para obter informações sobre a “sofisticação” do local e se orientarem sobre que tipo de roupas eram “adequadas”.<br />
De qualquer modo, se houve erros aconteceram acertos. Tantos que o festival se mantém. E quem trabalha na área sabe das dificuldades na realização de um projeto dessa envergadura, mesmo se realizado com recursos públicos. Aí outro erro. Uma iniciativa como essa não pode se sedimentar apenas com verbas oriundas dos cofres municipais. A iniciativa privada tem de comparecer. E, uma vez constatada a sua importância e projeção, até os microempresários manifestarão desejo de investir na programação.<br />
Na semana que vem teremos a 24ª versão do evento. Tempo de repensar como promover o retorno aos seus tempos áureos.</p>
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		<title>Não me permitem ser negro</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Nov 2012 09:40:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>

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		<description><![CDATA[Em poucos dias, neste mês, na Semana da Consciência Negra, o sistema de cotas raciais chega ao setor cultural. Dividindo opiniões, a medida já foi anunciada pela nova ministra da Cultura. Ponto para o país, que investe na correção de erros históricos contra a raça negra. Mas, não seria o caso também de refletirmos se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em poucos dias, neste mês, na Semana da Consciência Negra, o sistema de cotas raciais chega ao setor cultural. Dividindo opiniões, a medida já foi anunciada pela nova ministra da Cultura. Ponto para o país, que investe na correção de erros históricos contra a raça negra. Mas, não seria o caso também de refletirmos se os caminhos dessas correções não promovem mais a segregação do que a inclusão social? </p>
<p>Se, por um lado, ganha o Brasil ao ter projetos exclusivos sobre a cultura negra (como se fosse possível dissociá-la da cultura como um todo), exclusivamente de pessoas negras, por outro, como é possível estabelecer, no território da diversidade cultural brasileira, quem é negro e o que é uma cultura negra? </p>
<p>Tudo bem. Há argumentos consistentes de sociólogos, militantes políticos e, sobretudo, de negros alegando que as oportunidades são extremamente reduzidas aos afrodescendentes. Há também pessoas, brancas inclusive, que defendem a necessidade mesmo de corrigir as distorções do passado. </p>
<p>Mas, há de fato, como corrigir tais atrocidades? É uma redenção premiar com cotas aqueles cujos antepassados foram escravizados e depois libertos sem perspectivas de uma vida livre em pé de igualdade com seus antigos opressores? </p>
<p>Não que eu seja contra o sistema de cotas. Só acho que a discussão deveria ser mais abrangente e prolongada. No caso da cultura negra, muito embora eu não consiga enxergá-la de forma isolada de toda a produção cultural no país, isso só vai trazer ganhos, pois coloca em evidência tudo aquilo que é o maior patrimônio de nossa cultura imaterial.</p>
<p>O preocupante é, no geral, o fato de o país estar adotando muito o modelo da suposta democracia racial dos Estados Unidos onde, do meu ponto de vista, ela efetivamente não existe. Aliás, mesmo distante, vejo de lá vindo os piores exemplos de conflitos raciais no planeta. E logo onde, teoricamente, é promovida a “inclusão” dos negros, principalmente por meio do sistema de cotas. </p>
<p>Penso apenas se tal sistema não é injusto. Se ele não promoveria mais a supremacia racial branca do que a inclusão e correção histórica para os negros. </p>
<p>E, lamento, pois eu, oficialmente branco, mas na miscigenação de raças e na paixão pela cultura me sentindo negro, posso ser excluído de processos culturais que muito me interessam. Legalmente eles passam a pertencer exclusivamente à população negra. Por mais que eu me sinta parte dela, devo pensá-la em separado. </p>
<p>Não seria isso um modelo pós-contemporâneo de segregação racial?</p>
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		<title>A modernidade de Gleides Pamplona</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Oct 2012 09:20:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Guimarães Coelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Calvino Vieira Júnior]]></category>
		<category><![CDATA[Cida Chaves]]></category>
		<category><![CDATA[Gleides Pamplona]]></category>

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		<description><![CDATA[O ator Gleides Pamplona nos convida a refletir sobre o mundo moderno. Reflexão impossível de ser associada às expectativas da velha infância. Para celebrar os seus 40 anos de teatro, Pamplona optou por ser rude, transtornado e sem complacência com os desvios morais e éticos da civilização. No espetáculo “E aí, modernidade?” o que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O ator Gleides Pamplona nos convida a refletir sobre o mundo moderno. Reflexão impossível de ser associada às expectativas da velha infância. Para celebrar os seus 40 anos de teatro, Pamplona optou por ser rude, transtornado e sem complacência com os desvios morais e éticos da civilização. No espetáculo “E aí, modernidade?” o que se vê é um grito desesperançado pela falta de referenciais políticos e humanos que pudessem renovar a crença em rumos decentes e justos para o mundo contemporâneo. </p>
<p>Bom ator, Pamplona recorre a recursos audiovisuais e textos de grandes questionamentos existenciais para se colocar perplexo diante de um mundo dominado pela violência, pela intolerância e pela injustiça. Sua personagem salta de um cotidiano comum, de ser embevecido no excesso de informações para a indignação frente a um mundo vil que nos desperta a ira e a resistência pacífica do artista observador, condoído pela decadência dessa contemporaneidade, mas absorto na consciência de não ser cúmplice dela. </p>
<p>Pamplona ousou nessa construção cênica. Sozinho, assina pesquisa, direção, produção e até mesmo a divulgação de seu trabalho. Não que isso seja raridade. Mas sempre há agregados que somam à cena, na construção, nos bastidores e na emoção do compartilhamento. Neste caso, o ator teve importantes apoios, mas estabeleceu-se solitário na concepção e apresentação do trabalho. Opção válida por ser a solidão o elemento chave, questionador da coletividade que se coloca como imbróglio ao indivíduo. É enquanto indivíduo que o ator observa o caótico no mundo e o traduz poeticamente à plateia.</p>
<p>Entre os aportes recebidos pelo ator estão nomes como o de Verônica Sampaio, bailarina, coreógrafa e pesquisadora, respondendo por assessoria tecnológica e cenográfica; Calvino Vieira Júnior assinando a edição de imagens e trilha sonora e Cida Chaves na assessoria de produção. A contribuição dada é visível na cena. Mas a essência do trabalho, como enfatiza o artista, é solo.</p>
<p>O espetáculo cresceria caso fosse abrigado em um maior palco. Pamplona é ator que o preenche com a voz volumosa e vibrante. Mas pareceu, em alguns momentos, desconfortável pelo excesso de informações na cenografia, algumas geniais e a serviço da cena e outras dispensáveis. Cresceria também caso a interpretação de alguns textos não fossem tão recorrentes à leitura no laptop, este um elemento cenográfico importante – impossível dissociar a leitura de mundo dos caminhos virtuais que protagonizam a modernidade. </p>
<p>Com essas pequenas correções o espetáculo se tornará mais envolvente. E o grito de indignação do ator ouvido por mais pessoas. E não é apenas mais um ator. É Gleides Pamplona, persona histórica na cena teatral uberlandense. Hoje, às 19h30, no Teatro de Bolso do Mercado Municipal, tem mais uma apresentação e outras duas estão marcadas para os dias 2 e 3 de dezembro. Confira o serviço no roteiro abaixo.</p>
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