O adeus à coluna
É muito difícil dizer adeus ao que se ama. Há pessoas, coisas e lugares que ocupam lugar de honra em nossas vidas. Por mais que exercitemos o desapego, a despedida é sempre triste. Chegou o momento de encerrar, ao menos temporariamente, este encontro semanal. Um novo desafio me chama e, para assumi-lo com ética, devo me despedir da coluna. E retomá-la no futuro. Quem sabe?
O que me vem à mente são os textos produzidos ao longo de três anos e oito meses. Revivo cada espetáculo assistido e comentado, cada reflexão sobre as mudanças culturais no país, cada modelo de comportamento instigando leitores e até mesmo cada falta de assunto preenchida com palavras que buscassem significados e ressonância. Melhor ainda são as lembranças da repercussão e dos comentários de concordância e discordância das opiniões proferidas.
A partir de amanhã passo a ser um dos assessores do novo secretário municipal de Cultura, Gilberto Neves. Eu imaginava antes que, ao receber um convite desses, pensaria um pouco mais. Aconteceu ao contrário. Nem precisei pensar no assunto ao ver que o desafio posto vai ao encontro de minha expectativa de continuar contribuindo com a evolução da cultura local. Se até aqui a minha contribuição se deu por meio de realizações de produções com artistas locais e com artistas de fora e também por intermédio de minha atuação como jornalista cultural, agora é o momento de estar na engrenagem do poder municipal para buscar, junto ao novo secretário e aos artistas, políticas públicas que a favoreçam.
Vejo que há grandes expectativas quanto à nova gestão da prefeitura. Eu também as tenho. Só não me imaginava como mais alguém responsável por satisfazê-las. Sei que nenhum governo é perfeito e esse também não será. A perfeição não existe, mas a busca por ela é que trará a consistência dos resultados.
Para mim, sem modéstia, a credibilidade do novo governo aumentou a partir deste convite. Embora eu, há décadas, vote em Gilmar Machado, desde a sua primeira candidatura, sou um ser independente e apartidário, convidado única e exclusivamente pelo meu histórico de atuação e competência técnica na área.
Por outro lado, honro também a posição de independência desse jornal CORREIO de Uberlândia. Pautado pela ética e pela responsabilidade, o veículo não poderia manter em suas páginas nenhum dos profissionais convidados a compor a nova equipe de governo. Assim sempre foi. E continua sendo.
Há um pouco de dor na despedida. Fará falta a oportunidade de repercutir os espetáculos que eu assistir (e agora, certamente, serão muito mais) e o enfrentamento público de questões pertinentes à cena cultural. A vida é feita de escolhas. Nesse momento, a minha é me colocar à disposição dos artistas e gestores culturais para ser um interlocutor junto ao novo governo. E de ajudá-lo a cumprir com excelência as propostas culturais colocadas durante a campanha eleitoral.
Fica aqui registrado o meu carinho grato às pessoas que me leram durante todo esse tempo, que comentaram no site, em meu e-mail, em telefonemas e nas redes virtuais. A gratidão também aos artistas que me inspiraram a tecer palavras que estivessem à altura de traduzir as suas construções.
Obrigado ao CORREIO por me abrigar nessas linhas e ao novo governo pelo voto de confiança em estabelecer comigo uma parceria. Espero honrar o convite e atender ao compromisso público assumido pelo prefeito Gilmar Machado e pelo secretário municipal de Cultura Gilberto Neves.
E me despeço, num misto de alegria e tristeza, de meus queridos leitores. Foi bom demais estar aqui.