Nilson Paulo de Lima

"Nós somos a soma de nossas decisões"

Treinos e Metas Um Ultramaratonista que, ao longo dos anos e dos quilômetros acumulados, acredita que a corrida pode te levar aonde você quiser ir.

23 de maio de 2013 9:59

Os caminhos da corrida

Consultor financeiro

Acredito que todo corredor, um dia na vida, saiu para correr apenas com o intuito de esquecer um problema ou mesmo para pensar melhor e tentar resolvê-lo. “Nunca voltei de uma corrida pior do que quando comecei”, esta frase é meu “mantra” até mesmo quando saio pra correr de manhã, no escuro, com frio e vontade de ficar na cama e é nela que me apoio. A descarga emocional proporcionada pela corrida nos recoloca no eixo desordenado e ajuda a enfrentar muitos problemas. Conheço gente que nunca havia praticado esportes, que era totalmente sedentária e julgava que aquilo não era a sua praia, resolveu sair para uma caminhada, como forma de ocupar a cabeça de outra maneira, e não parou mais.

As caminhadas se transformaram em pequenos trotes, que se transformaram em corrida, que se tornaram paixão e que mudaram sua vida. A grande maioria, assim como eu, começa para segurar a balança ou para abandonar algum vício. Mas, com o tempo, aprendemos também que a corrida é um ótimo celeiro para muitas conclusões. Além dos benefícios físicos e do aprimoramento técnico, a hora que passamos correndo – muitas delas absolutamente sozinhos – nos permite meditar. No relaxamento, na descontração, de algum modo alcançamos um estado tal que nos tornamos mais receptivos e criativos.

Quando estou envolvido em algum projeto de trabalho, é na corrida que busco inspiração e as coisas fluem com maior facilidade. Ninguém precisa ser um maratonista para colher os benefícios da corrida. Mas persistir e fazer da atividade um hábito de vida é necessário. Na minha modesta experiência como corredor, aprendi também que devemos ter uma vida significativa, assim procuro buscar na corrida tudo de bom que ela pode me oferecer. Poder viajar e conhecer lugares diferentes, ter novos amigos e estar em paz consigo mesmo são possibilidades que me fazem fugir do comum.

Correndo conheci lugares que dificilmente conheceria de outra forma. Fortaleci laços de amizades que ultrapassaram fronteiras e outros horizontes se abriram. O simples ato primitivo de correr me faz amadurecer e é o meu modo de encontrar a paz. Claro! Correr nem sempre é prazeroso. Mas, se você conseguir ultrapassar a linha tênue do desconforto e da comodidade, terá pela frente muitos caminhos de aprendizado.

16 de maio de 2013 8:53

Correndo por aí

Consultor financeiro

Vivemos resignados à rotina da vida cotidiana, mas, dentro de cada um de nós, há desejos inexplorados, anseios adormecidos e sabe-se lá quantas malas por fazer. Aprendi com a corrida a não me acostumar com o normal e encontrar caminhos que revitalizam. Aquela simples corrida que começou para perder peso também me ensina que, na vida, o importante não é atingir o destino, mas saber desfrutar da trajetória. E foi assim, num desafio de tirar o fôlego de quase 300 kmd e provas em sete maratonas pelos Estados Unidos e pelo Canadá.

Comecei no dia 13 de abril no pequeno Estado de Rhode Island na cidade de Narraganset, e terminei no dia 5 de maio passado na Maratona de Vancouver, no Canadá, uma das cidades mais bela do mundo. Pelo caminho tinha Indianápolis, onde vários pilotos brasileiros fizeram história, os 42 km ao ronco dos motores na capital mundial do automobilismo foram de arrepiar. A aventura americana continuou no Estado de Michigan, numa bela prova pelos famosos parques da cidade de Lansing.

A corrida mais divertida e alegre aconteceu em Nashville, capital do Tennesse, onde viveu Elvis Presley. Numa mistura de corrida e música pelo percurso da Rock’n Roll Marathon não restou dúvida de que o rei do rock continua bem vivo na alma dos americanos. Seguindo ao extremo dos USA, na fronteira com o Canadá uma prova festiva. Uma corrida em comemoração aos 10 anos de fundação da Marathon Maniacs, uma associação mundial de malucos por maratonas com sede em Seattle e filiados em todo o mundo. Sou um dos associados, com a matrícula MM1084, e é assim que me chamam por lá, como se fosse o número de um soldado em guerra, outra paixão destes gringos loucos.

Neste clima de festa, comemorei também minha 100ª maratona. Como nem tudo é alegria, tinha ainda a corrida mais assustadora de minha vida. Pela primeira vez na história, o terrorismo invadiu a pista de corrida na tradicional maratona de Boston. A explosão de duas bombas, logo após eu terminar a prova, que matou três pessoas e deixou mais de 200 feridos, virou comoção em todo mundo. Um dia para ser esquecido. Mas, enfim, é assim que dou mais vida à vida e a levo adiante. Em minhas corridas por aí, levo comigo amigos pelo mundo e experiências memoráveis. E ao voltar para casa, o sentimento que me leva: “A vida não é uma viagem para a cova com a intenção de chegar a salvo, num corpo bonito e bem preservado, mas sim aterrissar lá, derrapando, bastante usado, completamente gasto e poder proclamar bem alto: Ufa! Valeu a pena, que viagem!”.

25 de abril de 2013 9:42

Depois de Boston

Consultor financeiro

Passados dez dias do atentado na maratona de Boston, na qual morreram três pessoas e quase 200 ficaram feridas, o assunto continua sendo destaque diariamente na TV Americana. Depois de Boston, já participei de duas outras maratonas pelo interior dos EUA e o tema “terror” é a principal conversa entre todos os corredores. Nesta semana, estou quase 2 mil km longe do atentando, mas a tensão permanece por todo lado.
No domingo passado corri uma maratona na cidade de Lansing, no Estado de Michigan. E nem mesmo minha inofensiva mochila em que carrego meus géis e suplementos em todas as provas escapou da rigorosa revista da polícia americana, antes de ir para o guarda volume no local da corrida. É a operação padrão pós-Boston promovida pelas autoridades do país. E tem mais novidade! Um minuto de silêncio, uma oração e o hino nacional, seguido por intensas palmas, é agora ritual protocolar orquestrado em qualquer corrida. Num país com a população extremamente patriota todos estão em festa com o “abate”, como dizem por aqui, e a captura do irmão terrorista. Um horror atrás do terror. Analisando essas manifestações, fico imaginando o carnaval quando capturaram o terrorista Bin Laden. Mas, vamos adiante, pois a atmosfera no mundo dos corredores sempre foi de alegria e paz.

Continuo por aqui na minha trajetória programada até o Canadá, correndo, divertindo-me e conhecendo lugares maravilhosos. A explosão das bombas, que pode ter manchado a magia da prova em Boston, não foi motivo para eu ficar em dúvida se continuaria ou não com minhas aventuras. Nem tive tempo para ficar indeciso, mesmo estando presente a poucos metros do local do atentado. Na verdade concluí que correndo iria ajudar a cicatrizar as feridas da tragédia mostrando que, apesar da dor, da tristeza e do medo esse esporte vai muito além das intrigas políticas e ilumina um pouco a escuridão que o terror traz.

No ambiente dos corredores não há bandeira de radicalismo de qualquer natureza. Portanto vamos correr. E correr é bom em qualquer lugar, seja na rua, no parque, no bairro ou qualquer canto do mundo. Não importa a distância pode ser 5, 10, 15 ou uma maratona. Até mesmo uma boa caminhada é melhor que ficar no sofá assistindo à TV. Então mexa-se!! Vem aí a corrida do Circuito Caixa etapa de Uberlândia. A prova acontece no próximo dia 11 de maio, para o corredor experiente e para quem pretende dar os primeiros passos. Participe !!