Nilson Paulo de Lima

"Nós somos a soma de nossas decisões"

Treinos e Metas Um Ultramaratonista que, ao longo dos anos e dos quilômetros acumulados, acredita que a corrida pode te levar aonde você quiser ir.

3/02/2011 11:47

Um Happy Birthday radical

Consultor financeiro

Nunca o assunto idade mereceu minha atenção, mas, quando a sociedade aponta as concessões, como filas especiais, descontos nos cinemas, estacionamentos exclusivos, percebe-se que o estigma que envolve o idoso pode ser um osso duro de roer. Seja no conforto do sedentarismo ou com um par de tênis por aí, o caminho é inevitável. Mas podemos ter nossas escolhas.

Para comemorar mais um ano de vida, que acelera a passos largos depois da fronteira do meio século, resolvi colocar um pouco mais de purpurina na insistente idade que teima em avançar. Para tanto, escolhi ou me escolheram a participar da mais difícil e radical prova do país, a BRAZIL 135 ULTRAMARATHON (135 milhas) uma corrida de 217 quilômetros. Num sobe e desce sem fim por montanhas de Minas e São Paulo, eu tinha até 60 horas para concluí-la.

A prova começou dia 21 e encerrou na véspera do meu aniversário dia 23 de janeiro. Para participar da prova, o atleta precisa ter um convincente histórico em corridas de resistência. Uma comissão formada por membros da comunidade de ultramaratonistas do Brasil escolhe dentre os que enviarem curriculum, 60 atletas de várias partes do mundo.

Nesta 6ª edição, 12 países estavam representados, a maioria já havia participado da prova, era a minha primeira vez nesta aventura. A BR 135 Ultra é extremamente difícil porque é toda realizada por morros na Serra da Mantiqueira e apenas 20 dos 217 quilômetros de toda a corrida são planos. O atleta, ao longo da prova, “sobe e desce” um Monte Everest várias vezes.

Os números são de arrepiar. Imagine correr continuamente dia e noite mais de 43 voltas no Parque do Sabiá (5 km cada volta), porém, num terreno radical. Ou percorrer quase 15 km da São Silvestre, onde a temida Brigadeiro, seria apenas um refresco para o corredor. O esforço físico é tão intenso quanto ao mental. E ao concluí-la em menos de 54 horas, foi preciso, além das pernas, muita cabeça.

Tanta superação só mesmo com a ajuda incansável da equipe de apoio comandada pelos amigos: André Jabur, Regis Lemes, Solane Machado, Reges Teodoro e Mariele. Sem esta turma acompanhando dia e noite seria difícil a missão. Obrigado pela força, pela compreensão e pela paciência de todos. Vocês tiveram importante contribuição nesta conquista.

Foi uma experiência singular, difícil de detalhar com a limitada linguagem verbal. Uma mistura de emoções e sofrimento que ainda parece um sonho, irreal. Emoções como estas não envelhecem jamais. Com tanta adrenalina assim quem se importa com a idade? Que venham muitos outros aniversários, retardaremos este relógio. “Nós somos a soma das nossas decisões.”

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