Euforia
Todos nós descendemos de gente que, para permanecer viva, tinha que correr. Corria-se pra comer e para não ser comida. E de acordo com os estudiosos esta necessidade de correr está no plano genético, programada em nossos cérebros. Quando alcançamos a resistência para, com facilidade, correr longos percursos, uma boa corrida virá, então, reativar o antigo padrão neural. Acredita-se ainda que este padrão, talvez reprimido desde a infância, ainda está disponível. É a euforia de descobrir o padrão neural que modifica o estado de espírito das pessoas, quando começam a correr.
Se você é um corredor experimentado certamente já vivenciou algumas sensações eufóricas durante a corrida. Após superar o desconforto inicial comum para qualquer corredor, um dos primeiros efeitos sentidos no ato de correr, serão as euforias ocasionais. Geralmente a euforia do correr ocorre depois do trigésimo minuto, pois é este o ponto em que os níveis de ácido lático, causador das dores, diminuem de modo a possibilitar a conhecida “viagem do corredor”. Pode ser que a euforia do correr às vezes tenha uma intensidade surpreendente, e, outras vezes, uma ausência estranha. O fator primordial para que ocorra a euforia residi na habilidade do corredor em relaxar, em deixar a mente vagar livre, em estar isento da ansiedade de correr por obrigação. É comum os corredores terminarem suas corridas explodindo, em idéias. Embora às vezes, nada de importante aconteça, em outras há uma erupção de idéias e insights.
Gosto de correr pela manhã, neste momento consigo, com freqüência planejar as atividades do dia com muita clareza e totalidade. Os pormenores, que, de outro modo, exigiriam lembretes, tornam-se preciso e fáceis de ser lembrados.
Na edição deste mês da Revista Runner’s World, o cantor Tony Bellotto do Titãs, conta como a euforia da corrida influencia na criatividade do seu trabalho. “A corrida é um negócio muito sério na minha vida e me coloca num estado propício à criação. A sensação de bem-estar e o preparo físico são fundamentais para o meu trabalho tanto no palco, fazendo shows, quanto no escritório, escrevendo livros, crônicas e compondo música”. Afirma o músico e escritor, que não despreza o tênis em suas viagens de trabalho.
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