Nilson Paulo de Lima

"Nós somos a soma de nossas decisões"

Treinos e Metas Um Ultramaratonista que, ao longo dos anos e dos quilômetros acumulados, acredita que a corrida pode te levar aonde você quiser ir.

23/06/2011 6:00

Um alimento para a vida

Consultor financeiro

Participar de um Ironman é muito mais do que a preparação física do corpo e da mente. Executar o plano preparatório, com os afazeres diários, obrigações pessoais, profissionais e sociais, é uma arte de capacidade de adaptação e de aplicações de planos alternativos. A ausência pelos longos e desgastantes treinos proporciona às pessoas próximas uma reflexão que considero essencial para administrar os relacionamentos: “Não é preciso compreender, basta respeitar”. A essência da razão é exclusiva do praticante. Torna-se ainda mais difícil querer entender quando um jovem de 27 anos, cheio de vida social se dedica à preparação de um desafio tão radical. O Ironman compreende 3.800m de natação, 180 quilômetros de bicicleta e 42 quilômetros de corrida.

O apoio dos amigos e da família inspirado pelo pai, Luiz Antonio Batista Dias, o “Sukita”, um veterano em corridas, foi o alicerce para que o advogado Lucas Naves Dias realizasse o sonho de superar este desafio.
O jovem atleta uberlandense acredita que o “ser” Ironman está em outra dimensão: “Decidi que na minha vida eu não serei espectador e sim ator. Eu sei aplaudir, mas gosto de ser aplaudido… Não quero ser um homem de lata e sim um homem de aço… o que eu quero dizer é que as pessoas admiram os outros e se esquecem do potencial que cada uma carrega dentro de si. Precisamos querer acreditar”, afirmou Lucas.
A prova foi realizada no mês passado em Florianópolis. “A Rainha das provas é uma competição que faz arrepiar, acelera o coração, dá frio na barriga e que faz rir e chorar. E mais ‘que leva o ser humano ao seu extremo, tanto físico quanto psicológico’”, disse o advogado.

Para realizar o sonho de ser tornar um Ironman, Lucas percorreu em 6 meses de treinos 4.500 quilômetros de bicicleta, 950 quilômetros de corrida e 150 quilômetros de natação, além de diversas provas alternativas. Acordar às 5h era a certeza de ser recompensado por aquele sacrifício. E lembra ainda que 60 dias antes da prova quebrou os dois braços caindo de bicicleta em uma competição de short triathlon e só tirou o gesso três semanas antes do Ironman. Com tanta adversidade, realizar a prova em 11 horas, 43 minutos e 17 segundos foi mesmo um sonho inesquecível.

“Tudo que o esporte me ensinou, eu levo para a vida e fora dele tudo fica mais fácil. As dificuldades do dia a dia são quase inexistentes. O que outrora era difícil fica muito mais fácil. O limite não é o limite. Posso dizer que a prova em si é uma concretização do trabalho realizado, uma injeção de endorfina do início ao fim, uma sensação única… um alimento para a alma”, concluiu o novo Ironman.

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