O estranho mundo do corredor
Corredor é mesmo um bicho estranho. É possível reconhecê-lo de longe, mesmo quando não está por aí de tênis e camiseta. Começar pelas conversas. Veja só o que disse um deles outro dia: “Você acredita que ela é casada com ele há anos e ainda não sabe o tempo dos 10 km do cara?”. Imagina! Desde quando saber o tempo de alguém pode ser considerado uma prova de amor? Pois, para o corredor, é. Conhecer o tempo de prova, a melhor marca na maratona e até detalhes da planilha de treinamento da pessoa amada são atitudes importantes para quem quer cativar o coração de um corredor. Os presentes para conquistar o ser amado também são estranhos – e estão muito mais para o trinômio tênis-camiseta-carboidratos do que o tradicional perfume-flores-bombons.
Para os corredores, o conceito de espaço e tempo está presente em tudo na vida. Uma pessoa comum pergunta: “Vai pra onde?”. Para um corredor, onde é o que menos importa. A pergunta que ele valoriza é “vai pra quanto?”, no sentido de tempo. Ou então “vai rodar quanto?”, no sentido de distância. Corredores, como os automóveis, têm rodagem e se medem por quilometragem. Até balanceamento eles fazem, já que existem tênis para pronadores, supinadores e neutros. Não bebe combustível, mas bebem dezenas de litros de aditivos: suquinhos, energéticos, aminoácidos, isotônicos e tudo que acredita ajudá-los na corrida.
Outra mania estranha são as mandingas. Os corredores também são cheios delas. Simpatias, talismãs, fitinhas, tênis da sorte – vale tudo na hora de suar para conseguir baixar o tempo em uma prova. Já vi gente com um tênis de cada cor, gente que constrói altares esotéricos para sua coleção de medalhas e assim por diante. Além de mandingas, corredores apreciam todo tipo de pajelanças e garrafadas. Vitaminas de todas as letras, própolis, mel acompanhado de todo tipo de substância, açaí na tigela, com aveia, com cevada e até rapadura, com farinha e carne seca, serve como aditivo.
Apesar de tantas manhas e manias, nós, corredores, até que temos certo astral. Somos alegres, gostamos de correr em bandos, com sol, chuva sempre ao ar livre. Quem lê isso pode até imaginar que estou descrevendo uma espécie de ave rara – o que nem estaria tão distante da verdade. O único grande problema em relação aos corredores é que seus rituais de acasalamento só podem acontecer com seres da mesma espécie. Não corredores casados com corredores tendem a ser extremamente infelizes. Afinal de contas, quem aguenta relacionar-se com uma pessoa que acorda para treinar às 5h30 e vai pra cama no máximo às 22h, sonhando com a próxima corrida?
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Vicent Sobrinho disse:28/07/11 18:59
Nilson.. vc está completo de razão.Minha mulher é uma chefe de cozinha… imagine… o que eu preciso correr para não engordar.. e o que brigo com ela para correr comigo… he he.. mas, somos um casal feliz pois, corremos juntos. abçs
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Leonardo disse:01/08/11 16:27
Nilson, mais uma vez voce esta certo em suas palavars, é assim mesmo que acontece, somos uma espécie estranha, mas em franco crescimento. Abçs
Comentários (2)