Os zigue-zagues da corrida
A vida não é uma ciência exata. Não costuma andar para a frente em linha reta, de forma previsível. Ela é repleta de zigue-zagues e nem sempre a sabedoria convencional é o único caminho. O universo da corrida sempre foi uma escola em minha vida. Por isso creio que todo corredor experiente tem capacidade para, dentro de certos limites, se tornar um incentivador ou orientar quem está começando a correr. Pessoalmente, acredito que veteranos devem passar adiante parte daquilo que aprenderam, transmitindo seu conhecimento aos novatos. Só assim as corridas perpetuarão.
Certos “erros” jamais deveriam merecer qualquer chance de continuar se repetindo nas corridas – calçados inadequados e gente que dispara como louco no início da corrida são apenas exemplos de situações primárias que podem ser evitadas. Embora corra há vários anos, não sou um treinador, digamos assim, formal. No entanto, sempre procurei “dar uma mãozinha” a alguns amigos, a maioria iniciantes apaixonados ou, como se dizem, menos experientes. Fico feliz quando encontro-os na linha da chegada, onde os abraços são emocionados. Por vezes até rola uma lágrima.
Nunca desenvolvi um método de treinamento ou criei qualquer técnica mirabolante. Se tenho algum, acredito que meu mérito seja de outra natureza. No fundo, quero é trazer novos adeptos para as corridas. Simples assim. Fico contente quando encontro alguém disposto a começar. Minha felicidade dobra quando percebo sinais de que a experimentação pode ir além de mera curiosidade e explodo em emoção quando, enfim, o cumprimento em seus desafios seja ele qual for.
Por trás dessa profusão de sentimentos há, aí sim, uma certa metodologia. De novo, tudo muito simples. Para começo de conversa, uma diferença sutil: não desprezo oportunidades! Como nunca se sabe quem vai se apaixonar pelas corridas, aprendi a ser receptivo a todos que desejam dar seu primeiro passo, independentemente da motivação particular ou da falta de talento que julguem ter. Admitindo que a maioria pretenda partir do início, valorizo a importância de começar devagar, com distâncias modestas e em ritmo confortável, na maioria das vezes caminhando. Não importa a idade: iniciantes são mesmo impacientes. E quanto mais jovens, pior.
Há que controlá-los. Aprendi a importância de reconhecer e comemorar com eles cada avanço. Por mais modesto que pareça, além de aliviar as dúvidas interiores, celebrar um recorde pessoal é mostrar ao novato o quanto ele pode evoluir. Ao atingirmos esse ponto, não teremos chegado ao fim do treinamento, mas seguramente já não estaremos mais falando apenas de corridas. Com seus zigue-zagues, a vida terá entrado em cena.
Comentários 0