Corra lá atrás
Não é nenhuma novidade que a corrida de rua é o esporte que mais cresce e o mais democrático de todos os esportes. Isso é muito bom, pois não exclui ninguém e permite integrar pessoas dos mais variados gostos, tipos e estilos. E, convenhamos, é isso que faz da corrida uma atividade prazerosa.
Mas, do ponteiro ao último retardatário, encontramos gente que calça um par de tênis por, pelo menos, um motivo em comum: expandir o próprio limite. Pode ser baixar tempos ou simplesmente conseguir força para sair da cama e tentar perder barriga enquanto devora alguns quilômetros, mesmo que seja com uma boa caminhada. Todos merecem respeito.
Dentre os variados tipos de corredores, um grupo merece atenção. A turma não é muito organizada, mas, por vezes, se agrupam sempre lá atrás nas corridas. A chamada turma do fundão curte a corrida, desfruta da paisagem, do clima, dos amigos e, por vezes, passa o percurso todo batendo um bom papo. É uma longa conversa sem fim. Vale a pena “correr os olhos” por essa turma, sempre alegre.
Muita gente vai se identificar com esse grupo e descobrir que não está sozinho. Para eles, o importante é participar e aproveitar o que há de melhor na atividade, mesmo que estejam sempre lá atrás. A turma do fundão corre por saúde, qualidade de vida, interação social e se diverte muito entre um quilômetro e outro. Engana-se quem pensa que a turma do fundão das corridas de ruas é a mesma daquela dos tempos de escola, aquele pessoal que levava os professores à loucura e, salvo exceções, não tirava exatamente as melhores notas da sala. A alegria, possivelmente, é a mesma, a falta de compromisso com o resultado – pelo menos aquele número exato no relógio no final do percurso – também.
Mas quem está lá só pelo prazer de correr em si forma o verdadeiro público em ascensão nos eventos. São eles que vêm fazendo da modalidade um esporte realmente de massa, que atrai milhares a cada fim de semana. Quer um exemplo? Preste atenção na turma fantasiada que participa da São Silvestre. É uma farra divertida. Difícil pensar em algo em que é comum se incomodar mais com os meios do que com os fins.
Traduzindo: os corredores que não se importam em continuar lá atrás medem os benefícios de seus esforços muito mais por uma queda no nível do colesterol aqui, uma amizade nova ali do que, propriamente, com números cada vez mais baixos no cronômetro. A corrida de rua é assim: um esporte que acolhe até quem não cogita competir consigo mesmo. Ficou para trás? Aproveite!
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