A festa dos corredores
Tudo começou em 1924, inspirado numa corrida noturna francesa em que os competidores carregavam tochas de fogo durante o percurso. Depois de assistir ao evento em Paris, o jornalista Cásper Líbero não teve dúvidas de trazer o projeto para a cidade de São Paulo. À meia-noite de 31 de dezembro daquele mesmo ano foi disputada a primeira São Silvestre, que homenageia o Santo do dia. De lá para cá, muita coisa mudou, mas permanecem o glamour e o orgulho de participar desta, que se tornou símbolo de festa para os corredores no Brasil.
Até o fim dos anos 80, a São Silvestre era disputada à noite, sem direito à festa da virada para os corredores e torcedores presentes, já que a largada acontecia exatamente na virada do Ano-Novo. Se, por um lado, perdemos o romantismo da corrida noturna, hoje em dia com o horário das 17h dá perfeitamente para correr antes e festejar depois.
A São Silvestre é uma corrida diferente e não tem nenhuma relação com as provas de rua em geral. Fora os atletas de ponta, que participam de olho nos prêmios, ninguém está lá para baixar tempos ou buscar consagração. Muitos querem mesmo é celebrar o Ano-Novo e até mesmo aparecer na tela da TV para serem vistos pelos amigos e parentes ao vivo. E nisso a prova é incomparável. Um verdadeiro carnaval de fantasias. É uma festa do início ao fim pelo centro histórico de São Paulo. Neste ano, mais uma vez, foi alterado o percurso, mas por outros interesses que não seja aliviar as pernas dos corredores. A temida subida da Brigadeiro continua lá pra exigir fôlego da galera, agora sobe e continua nela até o final. A chegada que terminava na Paulista foi transferida para o Parque Ibirapuera. Mas nada que tire o brilho da prova e a festa dos corredores. Nem mesmo o valor exagerado da inscrição será motivo para não completar o limite de vagas estimado em 25 mil participantes.
Dezenas de milhares de pessoas estão de prontidão para encarar os renovados 15 quilômetros da prova. A grande maioria não está nem um pouco preocupada com o percurso. Eles querem mesmo é fazer parte da festa e percorrer o trajeto cada um à sua maneira, fantasiado, correndo, andando e se divertindo ao lado de amigos e familiares. É uma festa do início ao fim da prova. Na largada, um mar de gente. Um ao lado do outro. É, digamos, uma confusão organizada. Uma cotovelada aqui outra ali. Nada que tire o bom humor! A prova, salvo um presente dos deuses, é disputada sob o intenso calor do fim da tarde. Estarei lá pela 12ª vez, pode mudar o percurso, horário, mas a minha disposição e alegria de participar desta festa ainda quero garantir por algum tempo. Se você é corredor de rua, mesmo que não seja um “expert” no assunto, não perca a chance de um dia disputar uma São Silvestre.
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