A graça delas na corrida
Uma bela mulher não é aquela de quem se elogiam as pernas ou rosto, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.
Mas, quando que uma mulher é de fato bonita? Quando está toda produzida e bem maquiada? Pronta para uma festa? Quando aparece em capa de revista? É, pode ser. Mas bonitas mesmo, pra valer, elas ficam quando pensam que ninguém as está vendo.
São lindas! Espreguiçando nos lençóis enquanto tateiam procurando travar o despertador de um dia frio e chuvoso, metidas no pijama, cabelos em desalinho e rosto amarfanhado.
Encantadoras! Ao sentar na cozinha para o café da manhã, pernas dobradas sobre a cadeira, chinelo de pelúcia num canto, revista de fofoca aberta, rádio tocando baixinho aquela linda música.
Deslumbrantes! Quando esparramadas no sofá, vestida com calça de andar em casa, a blusa faltando botão, o cabelo jogado de qualquer modo pelo ombro, nenhuma preocupação se o batom ou o esmalte resistiram ao dia, um livro nas mãos, o olhar perdido em meio a tantas ideias.
São Maravilhosas! Saindo do banho, a toalha largada no piso, o corpo ainda úmido, mãos desembaraçando os cabelos. Creme hidratante espalhado nas pernas, desodorante, perfume aqui e ali.
Acordar, tomar café, relaxar no sofá, sair do banho, assistir a um filme, se retocar costumam ser momentos femininos reconhecidos como sutilmente encantadores. É claro que existem vários outros, alguns que talvez nem elas próprias imaginem. Aos olhos de muitos marmanjos, correr é um daqueles que sempre aparece bem colocado na lista.
Embora seja quase impossível saber o que embeleza intimamente uma mulher, a que artifícios elas recorrem para conquistar serenidade, em quais pensamentos se amparam quando querem descansar do mundo e no que são capazes de desfazer para manterem-se saudáveis, vê-las correndo, faz acreditar que constroem sua beleza a partir de emoções secretas.
Não fosse assim, como então explicar, por exemplo, a preocupação com o batom numa simples corrida, mesmo sem medalhas? Como justificar a necessidade do perfume numa prova duríssima como a maratona? Como entender a importância de combinar as cores da meia e do top num evento sem TV nem fotos? Simples: diferentemente dos momentos íntimos em que ficam lindas, nas corridas, sabendo que serão vistas, elas nos brindam com o ar de sua graça em qualquer momento de qualquer corrida.
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Silmara disse:03/03/12 12:43
Adorei, muito obrigada!!!!
Comentários (2)