Por quê?
Não é fácil explicar para não corredores nossa paixão pelo esporte. Apesar de geralmente evitar o assunto com pessoas alheias à atividade, é comum termos certa reputação de “malucos” entre amigos mais chegados que tomam conhecimento das aventuras que embreamos por aí nas corridas. Abandonar aquela agradável festa, porque tem que acordar mais cedo no dia seguinte para correr não é qualquer um que entende. Enfrentar frio e chuva de manhã para correr com os amigos não é para gente normal. Que outras pessoas iriam entender as conversas em código dos corredores: 5 por 1, sub 4, tiros, intervalados, “longões”? Sinceramente, se eu não fosse um deles não entenderia também.
Agora, se há uma dinâmica que não discutimos entre nós é a questão do “Por quê?” Por que sentimos tanta atração por correr? O que exatamente passa por nossa cabeça?
Eu sei que, para mim, correr pode ser uma válvula de escape. E, até certo ponto, minha energia diária precisa disso. Qualquer pessoa pode imaginar que a nossa aflição por correr seja clínica, patológica. O fato é que alguns buscam o conforto da sala do terapeuta, outros vão para o botequim da esquina e mergulha na bebida e o sossego da beira da represa é o descarrego para muitos. Mas no meu caso tenho a corrida como minha terapia. É a minha melhor fonte de renovação. Não me lembro de uma única vez depois de uma corrida em que eu tivesse me sentido pior do que me sentia antes.
Quando analisamos em profundidade, a resposta para o “por quê?” é bem complexa. Por que as pessoas bebem? Por que jogam? Por que se apaixonam? Não é fácil chegar a essas respostas. Não sei bem por que o que me move é correr. Há muita gente descontente com a vida, mas não são muitas as pessoas que chegam à conclusão de que correr resolverá esse problema. Mas ocorre que não é nada simples responder a esta pergunta: “Por quê?”. Os mecanismos envolvidos são complicados. A maioria das vezes, a pessoa que pergunta “por quê?” está procurando algum clichê, para justificar algum desejo não realizado.
Àqueles que me perguntam “por quê?”, eu dou alguma explicação superficial, como “eu gosto de correr, me faz bem, me leva a lugares diferentes”. Acho que deveria dizer: “Vá correr uma maratona e terá a sua resposta”. Porque eu ainda estou procurando a minha.
-
Silvana disse:29/03/12 14:50
Eu não acreditava que a resposta à essa pergunta estava justamente em calçar um tenis e ir correr….
Muito bom seu texto essa semana, como sempre!
Comentários (2)