No clima de Boston
As cinco maiores maratonas do mundo, Londres, Berlim, Boston, Chicago e Nova York, compõem o circuito conhecido como World Major Marathon Series (WMM). Para os atletas de elite, é uma espécie de competição, comparada à Copa do Mundo de Futebol, pois, além de projetar atletas dando-lhes visibilidade, os vencedores do circuito, tanto masculino como feminino, recebem prêmios exuberantes. É ainda o espelho para as grandes marcas de materiais esportivos projetarem seus atletas como garotos-propaganda. Para nós, corredores amadores, participar de uma delas, ao lado dos melhores corredores do mundo, é como estar em um mesmo campo de futebol, batendo bola com astros como Neymar, Cristiano Ronaldo, Messi ou Kaká.
No dia 16 de abril passado, vivemos esta experiência na Maratona de Boston, nos Estados Unidos. Éramos oito corredores de Uberlândia. A prova de Boston é diferenciada em todos os sentidos. Disputada sem interrupção desde 1897, no feriado do Dia do Patriota, é a mais famosa e antiga de todas. É também a única maratona do mundo que exige tempos-limites para se inscrever. O clima pode ser uma surpresa. Em abril de 2007, corri a Maratona de Boston no maior frio dos últimos 30 anos na cidade. Neste ano, sofremos com o maior calor de todas as 116 edições da história da prova. Nem mesmo a festiva participação do público durante todo o percurso aliviou o sofrimento dos mais de 20 mil participantes. O calor causou uma série de transtornos aos corredores, sendo que muitos se recusaram a participar da prova. Dos 26.716 corredores que se inscreveram, apenas 22.426 começaram. A organização chegou a fazer dois grandes anúncios antes da prova. O primeiro é que qualquer dos corredores registrados poderia adiar sua participação para 2013 em virtude das altas temperaturas. Além disso, foi comunicado que a linha de chegada ficaria aberta por uma hora a mais. O objetivo era garantir a segurança dos participantes, permitindo maior tempo para conclusão da prova.
Com tantas adversidades, os quenianos Wesley Korir e Sharon Cherop foram os grandes vencedores da prova, com os tempos de 2:12:40 e 2:31:50, respectivamente. Em 2011, o campeão foi Geoffrey Mutai, com 2:03:02, o melhor tempo para a distância de 42 quilômetros da história, mas não foi homologado como recorde mundial pelas regras da IAAF (Internacional Association of Athletics Federations – Associação Internacional de Federações de Atletismo). Para atletas de elite, só mesmo um desastre climático pode explicar tanta diferença no resultado da prova. Ah! O temido calor não impediu que o grupo do Triângulo Mineiro, com a medalha no peito, fizesse história em mais uma grande prova mundial. Parabéns à Turma das Gerais!
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