Cidade e Região

Notícias de interesse geral de Uberlândia e região.

19/01/2014 18:30

Perigo virtual: registro de imagens íntimas requer cautela e gera dor de cabeça

Repórter

Imagens íntimas divulgadas na internet têm prejudicado muitas pessoas, sobretudo mulheres. Há dois meses, duas jovens, de 16 e 17 anos, cometerem suicídio depois que tiveram fotos e vídeos íntimos repassados. Outro caso de divulgação de imagens íntimas que ficou conhecido no país foi da Carolina Portaluppi, filha de um ex-jogador de futebol, que teve fotos nuas expostas na internet depois que o celular dela foi furtado em dezembro.

A reportagem do CORREIO de Uberlândia reuniu quatro jovens entre 15 e 18 anos para discutir o tema. Os adolescentes fazem parte do grupo DST – Debates Socialmente Transmissíveis. Para eles, os principais problemas em torno da temática são a falta de orientação familiar e a banalização do sexo, além de uma sociedade machista.

Para Amanda*, de 17 anos, em casos de divulgação de imagens íntimas na internet, a mulher é vista como vítima e o homem como herói. “Um homem que posta este tipo de conteúdo é visto como o garanhão, o pegador. Já a mulher, seria uma vagabunda, que não dá valor ao próprio corpo. É uma sociedade machista e que banaliza o sexo. São pessoas com extrema necessidade de aparecer.”

Gustavo*, de 15 anos, acredita que a produção e publicação desse tipo de imagem é irresponsabilidade dos autores. “Se você deixa seu parceiro fazer esse tipo de foto ou vídeo é porque você confia muito nele, mas isso é um erro. Quando brigarem ou se separarem o risco de um repassar as imagens do outro é muito grande. E aí perde o controle.”

“Esse tipo de coisa acontece o tempo inteiro. Já presenciamos isso na escola. As pessoas deixam ser fotografadas e filmadas em situações íntimas e acreditam que só o parceiro vai ver, mas ele acaba mostrando para o amigo, que manda para outro e outro. As pessoas não pensam na consequência dos atos”, disse Lucas*, de 17 anos.

Segundo Matheus*, de 18 anos, esse tipo de problema poderia ser evitado com orientação dos pais. “Acredito que é dever dos pais ensinar aos jovens a se valorizar, a se preservar, a saber o que fazer em determinada situação. Orientação sexual mesmo. Ter diálogo aberto para tudo. Os pais deixam para conversar sobre isso muito tarde e, aí, infelizmente, a gente vê casos como dessas meninas que se mataram por falta de orientação.”

Os quatro jovens disseram que não fariam e não deixariam fazer imagens íntimas. Mas, se fizessem e o conteúdo fosse compartilhado, eles foram unanimes: procurariam ajuda na família para suportar a situação, tratamento psicológico e entrariam com processo na Justiça para retirar o material da internet e responsabilizar o autor.

*Os sobrenomes dos jovens foram preservados a pedido deles.

Segurança dos arquivos

Flávio de Oliveira diz que cuidados devem ser redobrados com arquivos de dispositivos móveis (Foto: Cleiton Borges)

Flávio de Oliveira diz que cuidados devem ser redobrados com arquivos de dispositivos móveis (Foto: Cleiton Borges)

Imagens íntimas em dispositivos eletrônicos, principalmente móveis, não estão 100% seguras, segundo o professor da Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Flávio de Oliveira Silva. “É muito difícil ter controle de qualquer coisa que está em meio eletrônico. Se o aparelho tem acesso à internet, pode ser hackeado. Se transferir o conteúdo para um CD ou pen drive também não é seguro”, afirmou.

A orientação é criptorafar os arquivos. “A melhor dica é: não produza esse tipo de conteúdo. Se mesmo assim fizer, tire do dispositivo móvel, porque pode ser roubado, e coloque em um lugar que tenha mais controle, coloque senhas e codifique tudo. Criptografe todo o conteúdo. Assim, dificulta o acesso.”

Consequencias

De acordo com a professora de Psicologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Marcionila Rodrigues, as vítimas de divulgação de imagens íntimas podem entrar em estado de desespero e precisam de tratamento psicológico. “É uma sensação de remorso, desespero, fim do mundo. Porque perde completamente o controle da situação”, disse.

Para ela, esse tipo de situação é sinônimo de uma adolescência vazia de laços. “Os pais não estão conseguindo acompanhar o que está acontecendo com os filhos. Eles deveriam participar mais de perto da vida deles, colocar limites, discutir causas e consequências. Os jovens estão muito desamparados e perdidos.”

Ação Judicial

Laine Souza: “responsáveis podem responder criminalmente” (Foto: Marcos Ribeiro)

Laine Souza: “responsáveis podem responder criminalmente” (Foto: Marcos Ribeiro)

É possível entrar com processo na Justiça para tentar retirar imagens íntimas de circulação, de acordo com a advogada e membro da Comissão de Informática da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Uberlândia, Laine Moraes Souza. “Em tese, é possível retirar esse tipo de conteúdo das redes, mas outras pessoas copiam as imagens e não tem como controlar essas cópias”, disse.

Segundo ela, é preciso primeiro ir até um cartório para registrar uma ata notarial para comprovar que a imagem existe e está na internet. “Depois, entramos com ação judicial para retirar o conteúdo com ação cível ou judicial para responsabilizar os autores da divulgação”, afirmou.

Os autores podem responder por crimes contra a honra e serem penalizados em até dois anos de prisão. Também podem ter que pagar indenização por danos morais que, segundo Laine Souza, é de R$ 5 mil, em média. “Os responsáveis pelas publicações ainda podem responder criminalmente pela chamada Lei Carolina Dieckmann, que tornou crime a invasão a dispositivos informáticos”, disse Laine Souza.

A Lei 12.737, de 30 de novembro de 2012, foi sancionada depois que a atriz Carolina Dieckmann teve imagens íntimas – que estavam em um computador que precisou de assistência técnica – divulgadas na internet, em maio do ano passado.

Comentários (3)

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Thonin disse:20/01/14 8:53

    Olha o jovem aí!

    Responder
  2. Anderson disse:20/01/14 14:30

    é a banalização….

    se a mulher mostar a b…..a na tv é algo recorrente e muitas outras usam o corpo para se autopromover, ganhar dinheiro e tudo o mais, mesmo perdendo o respeito continua nesse estilo de vida, não se importando em ser um objeto na mão do parceiro, simplismente por ganância financeira… temos ai um vida de jovens cheia de perdas com esse método de vida.

    Responder
  3. antonio p dos santos disse:21/01/14 9:51

    A juventude hoje vive num bacanal de Calígula e depois querem ser tratados como santas do pau oco !Bem feito !

    Responder